
Cometa 3IATLAS
Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA/Shadow the Scientist - Processamento de imagem: J. Miller e M. Rodriguez
Impulsionado pelo interesse em torno do 3I/ATLAS, o cometa interestelar que voltou a dominar as buscas no Brasil, o público tem recorrido ao Google para esclarecer dúvidas sobre os visitantes do Sistema Solar.
Segundo monitoramento da Sala Digital, uma das perguntas mais recorrentes no último mês relacionadas a cometas, excluindo as buscas específicas sobre o 3I/ATLAS, foi: “Qual a diferença entre cometa e asteroide?”.
Embora ambos sejam classificados como pequenos corpos do Sistema Solar, eles se distinguem pela composição, pela origem e pelo comportamento que apresentam ao se aproximarem do Sol.
Cometas: gelo, poeira e origem distante
Cometas são corpos gelados formados por uma mistura de gelo, poeira e fragmentos rochosos. A aparência levou astrônomos a popularizá-los como “bolas de neve sujas”. Eles se formaram nas regiões mais frias e remotas do Sistema Solar, como o Cinturão de Kuiper e a Nuvem de Oort, áreas povoadas por restos congelados da formação do sistema há mais de 4,6 bilhões de anos.
Quando se aproximam do Sol, o aumento de temperatura faz esses gelos sublimarem — passando diretamente do estado sólido para o gasoso. Esse processo libera poeira e gases que formam a coma, a atmosfera difusa ao redor do núcleo. O vento solar empurra esse material, dando origem à cauda, sempre apontada na direção oposta ao Sol. É essa atividade que torna os cometas visualmente marcantes.
Asteroides: corpos rochosos que não desenvolvem cauda
Asteroides são corpos rochosos ou metálicos, remanescentes das fases iniciais de formação dos planetas. A maior parte deles se concentra no Cinturão de Asteroides, entre Marte e Júpiter. Por não conterem grandes quantidades de gelo e outros materiais voláteis, não sublimam e, portanto, não desenvolvem coma nem cauda.
Sua aparência é discreta: são pontos de luz que variam de brilho principalmente devido à rotação e à forma irregular.
Quando as fronteiras se misturam
A distinção entre cometas e asteroides é útil, mas não absoluta. A evolução desses corpos ao longo de bilhões de anos produz exceções.
Cometas que passam repetidamente perto do Sol podem perder quase todo o material volátil e se tornar cometas extintos, com aspecto semelhante ao de um asteroide. O contrário também ocorre: algumas observações recentes identificaram asteroides ativos, que liberam poeira de forma esporádica. Esses casos borram a fronteira entre as definições clássicas.
O interesse renovado com a passagem do 3I/ATLAS
A discussão voltou ao centro das buscas por causa do 3I/ATLAS, um cometa interestelar — ou seja, formado em torno de outra estrela e lançado ao espaço após interações gravitacionais em seu sistema de origem. Sua trajetória hiperbólica indica que ele fará apenas uma passagem pelo nosso Sistema Solar.
As observações científicas mostram que o 3I/ATLAS tem comportamento típico de um cometa: exibe uma nuvem de poeira ao redor do núcleo e apresenta composição compatível com gelo e materiais voláteis. Ele se tornou objeto de estudo porque oferece a rara oportunidade de analisar um corpo formado fora do ambiente em que vivemos.
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