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Comissão Europeia aprova acordo com o Mercosul, dizem agências

O tratado estabelecerá uma zona de livre comércio abrangendo mais de 700 milhões de pessoas, fortalecendo as economias de ambos os blocos

Da redação com João Vieira
DA REDAÇÃO COM JOÃO VIEIRA

09/01/2026 • 08:36 • Atualizado em 09/01/2026 • 08:36

Resumo

A Comissão Europeia aprovou o acordo comercial com o Mercosul após mais de duas décadas de negociações, criando uma zona de livre comércio para mais de 700 milhões de pessoas e fortalecendo as economias dos dois blocos, com anúncio oficial aguardado nas próximas horas.

A votação foi marcada pela derrota diplomática da França, que tentou articular uma minoria de bloqueio sem sucesso, e pela postura decisiva da Itália, que garantiu o voto favorável após receber garantias e um pacote de 45 bilhões de euros para agricultores, assegurando a maioria necessária para aprovação.

O tratado prevê isenção de tarifas para diversos produtos agrícolas, ampliando o acesso de exportadores brasileiros ao mercado europeu, e agora avança para etapas de ratificação política e jurídica nos parlamentos da União Europeia e do Mercosul, podendo demorar vários anos até sua entrada em vigor definitiva.

A Comissão Europeia aprovou, na manhã desta sexta-feira (09), o aguardado acordo comercial com o Mercosul. A informação foi confirmada por diplomatas europeus às agências de notícias AFP e Reuters, sob condição de anonimato.

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A decisão marca o fim de uma negociação que se arrasta há mais de duas décadas e cria um dos maiores mercados consumidores do mundo.

O tratado estabelecerá uma zona de livre comércio abrangendo mais de 700 milhões de pessoas, fortalecendo as economias de ambos os blocos. A aprovação oficial deve ser comunicada por meio de nota pública da União Europeia nas próximas horas.

O isolamento da França e a "Minoria de Bloqueio"

A votação desta sexta-feira (09) representou uma derrota diplomática para a França, a maior opositora do tratado. O governo francês tentou, até o último momento, articular uma "minoria de bloqueio" para impedir a aprovação.

Para barrar o acordo pelas regras da União Europeia, seriam necessários votos contrários de quatro países que representassem, no mínimo, 35% da população do bloco. A França conseguiu reunir aliados como Polônia, Irlanda e Hungria, mas o contingente populacional desses países somados não foi suficiente para atingir o percentual exigido.

Do lado favorável, pesaram os votos das maiores economias do bloco, como Alemanha e Espanha, que já haviam declarado apoio antecipado ao tratado.

O papel decisivo da Itália

O fiel da balança para o desfecho positivo foi a Itália. Em dezembro, o país havia manifestado dúvidas e pedido o adiamento da votação, o que colocou as negociações em suspenso. No entanto, o cenário mudou em janeiro.

A mudança de postura italiana ocorreu após a Comissão Europeia oferecer garantias e um pacote antecipado de 45 bilhões de euros destinado aos agricultores locais. Com as demandas atendidas durante uma reunião de ministros da agricultura nesta semana, a Itália confirmou o voto favorável, garantindo a maioria necessária para a aprovação.

Próximos Passos

Com a aprovação na Comissão Europeia, o acordo entre Mercosul e União Europeia avança para as próximas etapas de ratificação política e jurídica. O tratado promete zerar tarifas para diversos produtos e ampliar o acesso de empresas sul-americanas ao mercado europeu, e vice-versa.

Espera-se agora a repercussão oficial por parte dos governos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, bem como os desdobramentos políticos dentro da Europa, especialmente diante da forte resistência do setor agrícola francês.

Impactos para o agronegócio brasileiro

O acordo prevê a isenção de tarifas para uma grande parte da pauta exportadora do agronegócio, o que aumentaria significativamente a rentabilidade do produtor nacional.

Produtos como suco de laranja, frutas, café solúvel e carnes processadas seriam os beneficiados imediatos com a redução das taxas de importação. Para o setor de grãos, a expectativa é de consolidação de mercado. Apesar de a soja já entrar com tarifa zero na maioria dos casos, o acordo traria segurança jurídica a longo prazo e regras mais claras para o comércio bilateral.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e outras entidades do setor acompanham o desfecho com atenção. A abertura do mercado europeu é vista como estratégica para diversificar os destinos das exportações brasileiras, hoje muito concentradas na Ásia.

Histórico

A União Europeia e o bloco formado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai completaram as negociações sobre o acordo em dezembro passado, cerca de 25 anos após o início das conversações. Serão firmados dois textos: o primeiro de natureza econômica-comercial, que é de vigência provisória, e um acordo completo.

Em setembro, eles foram submetidos formalmente pela Comissão Europeia ao Parlamento Europeu e aos estados-membros do bloco europeu. O Parlamento Europeu precisa aprovar com votos favoráveis de 50% dos deputados mais um, o que pode ter resistências de países como a França, que questionam termos do acordo.

Além disso, pelo menos 15 dos 27 países precisam ratificar o texto, representando pelo menos 65% da população total da União Europeia, o que pode levar vários anos. Quando o acordo completo entrar em vigor, ele substituirá o acordo comercial provisório.

Os países do Mercosul precisam fazer o mesmo e submeter o documento final aos seus parlamentares, mas a entrada em vigor é individual, ou seja, não é preciso esperar a aprovação dos parlamentos dos quatro estados-membros.