
António José Seguro e André Ventura disputam a presidência de Portugal
Reuters/Pedro Rocha/Reuters/Pedro Nunes
Neste domingo (8), Portugal volta às urnas para decidir quem será o próximo presidente do país. Nas cédulas, estão duas visões diferentes de nação. De um lado, está António José Seguro, ex-líder do Partido Socialista e que representa a continuidade do estilo de democracia adotada após a Revolução dos Cravos. Do outro, está André Ventura, que comanda o partido de extrema-direita Chega e que promete colocar abaixo o sistema atual. O embate pode ser um reflexo do que aguarda a Europa daqui para frente.
A eleição deste domingo é direta, ou seja, a população elege quem será o próximo presente, Entretanto, o papel dele é bastante diferente daquele em países como Brasil, uma vez que Portugal é uma república parlamentarista.
“A presidência portuguesa não tem um papel tão relevante como o papel do Primeiro-Ministro. Na estrutura política de Portugal, existe a figura do Presidente e do Primeiro-Ministro, sendo que o Primeiro-Ministro possui mais poderes do que o Presidente. O Presidente detém poderes mais cerimoniais e alguns poderes executivos, porém poucos”, destaca Demetrius Pereira, professora de relações internacionais da ESPM-SP.
Ao mesmo tempo, o especialista ressalta que Portugal tem uma importância grande dentro da Europa, por ser membro da União Europeia há muito tempo – o próprio presidente do Conselho Europeu, António Costa, é português. “O país tem um papel relevante também na área internacional como um todo já que colonizou uma parte do mundo, inclusive o Brasil”, frisa.
Ascensão da extrema-direita
As atuais pesquisas de opinião dão larga vantagem para Seguro no segundo turno das eleições presidenciais – ele chegou a ganhar o primeiro com cerca de 31% dos votos. Ainda assim, Pereira afirma que a presença de Ventura na disputa mostra como a extrema-direita tem conseguido crescer na Europa e em outras regiões do planeta.
Ele cita o caso da Itália, que hoje é governada pela primeira-ministra Giorgia Meloni, que é de um partido de extrema-direita. Portanto, os resultados do pleito, sejam quais forem, podem se refletir em próximas eleições no continente e até mesmo acelerar a tendência de crescimento da extrema-direita.
“Como é uma eleição presidencial de um país importante para a União Europeia, isso pode acabar influenciando futuras eleições e até os rumos aí da política europeia. Existe uma conexão muito grande na união Europeia entre os países europeus”, ressalta Demetrius Pereira.
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