
Cometa
Reprodução/NASA
Resumo
Nomeação de Cometas: O processo de nomear cometas é meticuloso e regulado pela União Astronômica Internacional (UAI), que segue um sistema internacional para garantir que cada cometa seja identificável de forma única.
Designação Alfanumérica: Cada cometa recebe um código que revela informações cruciais, como o tipo de cometa, o ano de descoberta e sua ordem de identificação dentro do período específico do ano.
Papel da NASA: Embora a NASA desempenhe um papel crucial na detecção e caracterização de cometas através de missões como NEOWISE, ela não participa diretamente da nomeação.
Quando um novo cometa risca o céu, despertando a curiosidade de astrônomos e do público, uma pergunta comum surge: quem escolhe seu nome?
Ao contrário de um processo aleatório, a nomeação de cometas segue um sistema meticuloso e internacional, um padrão seguido por todas as agências espaciais governamentais, incluindo a NASA. A responsabilidade oficial, no entanto, recai sobre a União Astronômica Internacional (UAI), a autoridade global para a nomenclatura de corpos celestes.
Fontes da NASA, como o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), explicam que o sistema moderno combina tradição e precisão científica, garantindo que cada nova descoberta seja única e rastreável.
Honrando o descobridor
A parte mais famosa do nome de um cometa é, tradicionalmente, o sobrenome de seu descobridor. Esta é uma prática que remonta a séculos.
- Pessoas e Equipes: Se um astrônomo amador ou uma equipe de cientistas é a primeira a reportar um novo cometa, seus nomes podem ser imortalizados no céu. Um cometa pode ter até três nomes de descobridores, como foi o caso do famoso cometa Shoemaker-Levy 9, descoberto por Eugene e Carolyn Shoemaker e David Levy.
- Levantamentos Robóticos: Hoje, com a tecnologia avançada, a maioria das descobertas é feita por levantamentos astronômicos automatizados, muitos deles financiados por programas governamentais. De acordo com o Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra (CNEOS) da NASA, telescópios robóticos como o Pan-STARRS, o ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) e o ZTF (Zwicky Transient Facility) são responsáveis pela maioria dos achados. Nesses casos, o nome do cometa leva o nome do projeto, como o recente e aguardado C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS).
O código científico: A identidade técnica do cometa
Além do nome do descobridor, cada cometa recebe uma designação alfanumérica precisa no momento da descoberta. Este "código de matrícula", como detalhado por agências que reportam à UAI, revela informações cruciais sobre o objeto.
Vamos usar o cometa C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS) como exemplo, com base nos dados gerenciados pelo JPL da NASA:
- O Prefixo (Letra): A primeira letra indica o tipo de cometa.C/: Indica um cometa não periódico, ou seja, sua órbita é tão longa (milhares de anos) que ele pode não retornar ao Sistema Solar interior em uma escala de tempo humana, ou foi visto apenas uma vez.P/: Significa cometa periódico, com uma órbita inferior a 200 anos, como o famoso 1P/Halley.D/: Refere-se a um cometa que se desintegrou ou desapareceu, como o 3D/Biela.I/: Designa um objeto interestelar, um visitante de outro sistema estelar, como o 3I/ATLAS.
- O Ano da Descoberta: O número a seguir, 2023, é simplesmente o ano em que o cometa foi oficialmente identificado.
- A Quinzena e a Ordem: A próxima parte é um pouco mais técnica. O alfabeto é dividido em 24 quinzenas (as letras "I" e "Z" são omitidas).A letra A corresponde à primeira quinzena de janeiro (dias 1-15).A letra B corresponde à segunda quinzena de janeiro (dias 16-31), e assim por diante.O número 3 indica que este foi o terceiro cometa descoberto naquela quinzena específica.
Portanto, a designação C/2023 A3 nos informa que se trata de um cometa não periódico, o terceiro a ser descoberto na primeira quinzena de janeiro de 2023. O nome entre parênteses, (Tsuchinshan-ATLAS), homenageia os dois observatórios que o descobriram de forma independente: o Observatório da Montanha Púrpura (Tsuchinshan) na China e o projeto ATLAS.
O Papel da NASA: Encontrar, não nomear
É fundamental entender que a NASA e suas missões, como o NEOWISE, não nomeiam cometas diretamente. O papel principal da agência, conforme sua própria carta de missão de defesa planetária, é detectar, rastrear e caracterizar esses objetos.
Os dados coletados por telescópios da NASA são enviados ao Minor Planet Center (MPC), um órgão operado sob os cuidados da UAI. É o MPC que analisa as observações de todo o mundo, confirma se um objeto é de fato uma nova descoberta e, em seguida, emite a designação oficial e o nome, seguindo as regras estabelecidas.
Em resumo, a nomeação de um cometa é um processo global e padronizado. É a união da honra histórica ao descobridor com a precisão de um código científico, um sistema robusto que permite à NASA e a toda a comunidade científica mundial falar a mesma língua.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

