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Como os raios se formam e por que aumentaram em SP? Entenda

De acordo com um levantamento recente do ELAT/INPE, a cidade de São Paulo registrou um aumento de 250% na incidência de raios nas duas primeiras semanas de janeiro

Emanuele Braga
EMANUELE BRAGA

17/02/2026 • 11:55 • Atualizado em 17/02/2026 • 11:55

Raios

Raios

Reprodução/Pixabay

Resumo

Aumento de raios em São Paulo foi registrado nas duas primeiras semanas de janeiro de 2026, com crescimento de 250% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento do ELAT/INPE.

Formação de raios é explicada por desequilíbrio elétrico nas nuvens Cumulonimbus, envolvendo correntes de ar, fricção entre cristais de gelo e granizo, além do encontro entre cargas positivas e negativas, conforme estudo divulgado pelo coordenador Osmar Pinto Junior.

Risco de acidentes cresce em áreas abertas, como praias e manifestações, com casos de atendimento médico em Brasília; aumento está ligado a ondas de calor extremas, urbanização e aquecimento global, enquanto autoridades recomendam buscar abrigo em veículos fechados e evitar árvores durante tempestades.

O início de 2026 começou marcado por um fenômeno meteorológico extremo na capital paulista. De acordo com um levantamento recente do ELAT/INPE, a cidade de São Paulo registrou um aumento de 250% na incidência de raios nas duas primeiras semanas de janeiro, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Mas como os raios se formam e por que o número aumentou na cidade?

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Mais de 4.700 descargas atingiram o solo paulistano em apenas 15 dias, um número que acende o alerta para a segurança pública e levanta questões sobre as mudanças climáticas.

Como um raio se forma?

Para entender por que esse aumento ocorre, é preciso olhar para dentro das nuvens. Segundo o coordenador do ELAT, Osmar Pinto Junior, o raio é o resultado de um desequilíbrio elétrico massivo — as informações foram divulgadas em um estudo do INPE.

"Bateria" atmosférica: Tudo começa na nuvem Cumulonimbus. As correntes de ar ascendentes levam cristais de gelo para o topo, enquanto o granizo mais pesado desce. O atrito entre essas partículas funciona como uma fricção estática: o topo da nuvem fica carregado positivamente e a base, negativamente.

Caminho invisível: O ar é um isolante, mas quando a carga na base da nuvem é intensa demais, ela "rompe" a resistência do ar. Um fluxo de elétrons invisível, chamado de líder escalonado, desce em direção ao solo.

Conexão final: Quando esse líder chega perto da terra, objetos altos (ou o próprio chão) respondem com uma carga positiva que sobe (o líder ascendente). No encontro, fecha-se o circuito e vemos o clarão — a corrente elétrica que sobe do solo para a nuvem a uma velocidade de 300 mil km/s.

Como se formam os raios? | Gerado por Inteligência Artificial

Como se formam os raios? | Gerado por Inteligência Artificial

Por que o aumento em São Paulo?

O estudo do INPE aponta que o salto de 250% em 2026 não é por acaso. O fenômeno está diretamente ligado às ondas de calor extremas e à urbanização.

Ilhas de Calor: O asfalto e o concreto de São Paulo retêm calor, criando correntes ascendentes mais fortes que alimentam as nuvens de tempestade.

Aquecimento Global: Temperaturas mais altas significam mais energia na atmosfera. Estimativas do INPE indicam que, para cada 1°C de aumento na temperatura média global, a incidência de raios pode crescer entre 10% e 12%.

Incidência de raios em SP | Gerado por Inteligência Artificial

Incidência de raios em SP | Gerado por Inteligência Artificial

Estatísticas de risco

Embora a chance teórica de ser atingido seja de "uma em um milhão", o pesquisador Osmar Pinto Junior ressalta que esse risco é variável. Em áreas abertas, como praias ou campos, a probabilidade sobe drasticamente para uma em mil.

Em janeiro de 2026, um caso emblemático reforçou o perigo: dezenas de pessoas precisaram de atendimento médico após um raio atingir uma manifestação política em Brasília, demonstrando que aglomerações em locais abertos são pontos críticos de vulnerabilidade.

Como se proteger

Com o Brasil mantendo o título de "campeão mundial de raios" (cerca de 78 milhões de descargas por ano), as autoridades reforçam:

Busque abrigo: Veículos fechados (carros) são seguros devido à "Gaiola de Faraday" (a estrutura metálica conduz a eletricidade para o solo sem atingir o interior).

Eicar embaixo de árvores, usar telefones com fio ou manipular eletrodomésticos ligados à tomada durante a tempestade.