
Número de raios sobe de forma expressiva em São Paulo
Reprodução/Agência Brasil
O início de 2026 apresenta um cenário meteorológico perigoso para a população de São Paulo. A combinação de calor intenso e mudanças bruscas no tempo favorece a formação de descargas elétricas, resultando em um aumento expressivo na incidência de raios. Apenas nas duas primeiras semanas de janeiro, a capital paulista registrou uma alta de 250% no número de raios em comparação ao mesmo período de 2025.
De acordo com o levantamento apresentado no Jornal da Band, 4.729 raios atingiram o solo da cidade na primeira quinzena do ano. O fenômeno é impulsionado pela forte onda de calor que atinge a região neste começo de ano. Imagens registradas em Curitiba também demonstram a intensidade da atividade elétrica na atmosfera brasileira nos últimos dias, reforçando o alerta nacional.
Formação e riscos de ser atingido
A explicação científica para a formação desses fenômenos reside na umidade atmosférica. Segundo Osmar Pinto Junior, coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do INPE, as partículas de umidade sobem e, ao encontrarem temperaturas muito baixas em altas altitudes, transformam-se em gelo. O atrito entre essas partículas dentro das nuvens gera cargas elétricas, que se manifestam como faíscas que podem se deslocar em todas as direções.
Estatisticamente, a chance de uma pessoa ser atingida por um raio em condições comuns é de uma em um milhão. No entanto, Osmar Pinto Junior ressalta que esse risco aumenta drasticamente dependendo da localização do indivíduo. Ao caminhar à beira da praia ou em locais descampados, a probabilidade sobe para uma em mil ou até uma em cem. Por outro lado, estar dentro de um automóvel fechado oferece proteção total, com risco zero de ferimentos por condução elétrica.
Orientações de segurança e prevenção
Durante tempestades severas, a recomendação das autoridades é de cautela máxima. A tenente Olívia Perrone, porta-voz do Corpo de Bombeiros, orienta que a população aguarde a tempestade passar antes de se deslocar por áreas abertas, como ruas, praças, parques ou campos de futebol. Em locais sem construções próximas, o corpo humano pode atuar como um para-raios natural, atraindo a descarga.
O Corpo de Bombeiros reforça que jamais se deve buscar abrigo sob árvores, barracas, tendas ou guarda-sóis. A proteção oferecida por essas estruturas é ilusória e pode, na verdade, aumentar o perigo. No ambiente doméstico, a segurança também requer atenção: é fundamental evitar o contato com objetos metálicos e não utilizar aparelhos ligados diretamente à rede elétrica durante a incidência de raios.
O monitoramento meteorológico indica que, enquanto o calor persistir, o risco de tempestades elétricas permanece elevado. A orientação final para os cidadãos é priorizar abrigos em edificações sólidas e veículos fechados até que a atividade elétrica cesse completamente.
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