A União Europeia e o Reino Unido discutem uma resposta conjunta à decisão do presidente americano Donald Trump de taxar países que enviaram tropas para defender a Groenlândia. Após uma reunião de emergência no último domingo, governos europeus analisaram o "tarifaço" anunciado contra nações que não apoiam a intenção dos Estados Unidos de anexar o território.
Se a medida não for revertida, bens exportados por Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido sofrerão uma sobretaxa de 10% a partir de fevereiro. Esses países são integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e reforçaram a segurança da Groenlândia recentemente.
"Bazuca" europeia e divergências diplomáticas
Enquanto o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirma que as tarifas contra aliados são inaceitáveis, mas descarta responder "na mesma moeda", a União Europeia sinaliza uma postura mais rígida. Alemanha e França, as maiores economias do bloco, defendem uma retaliação drástica avaliada em aproximadamente 580 bilhões de reais.
Os governos europeus consideram ativar uma medida anticoerção de 2023, apelidada de "bazuca", que prevê a restrição de investimentos e do acesso de empresas americanas de tecnologia e finanças ao mercado europeu. Ministros das Finanças de ambos os países classificam a pressão da Casa Branca como "chantagem".
Impacto na OTAN e motivações de Washington
Segundo o relato de Felipe Kieling, a OTAN acompanha a crise com preocupação, temendo que o conflito político prejudique a coordenação militar no Ártico e ameace a própria existência da aliança caso os EUA utilizem força militar. Donald Trump, por sua vez, reafirma que a Groenlândia é estratégica para a segurança americana contra a influência da Rússia e da China na região.
Em carta ao premiê da Noruega, Trump declarou que não se sente mais obrigado a focar exclusivamente na paz, mas sim no que considera bom para os Estados Unidos. O presidente americano vinculou sua mudança de postura ao fato de não ter vencido o Prêmio Nobel da Paz em 2025, entregue por uma organização norueguesa à líder opositora venezuelana Maria Corina Machado. Na última semana, Maria Corina entregou o prêmio simbolicamente a Trump.
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