
Cometa Halley
Reprodução/Nasa
Resumo
Cometas são considerados cápsulas do tempo cósmicas pela NASA, pois conservam gelo, rocha e poeira remanescentes da formação do Sistema Solar, há 4,6 bilhões de anos, permitindo que cada missão e observação ofereça informações diretas sobre o passado do universo.
Missões científicas destacaram cometas como Halley, Shoemaker-Levy 9, Tempel 1, 67P/Churyumov-Gerasimenko e ISON, revelando fenômenos como retornos periódicos, colisão com Júpiter, impacto controlado pela Deep Impact, pouso da Rosetta e desintegração próxima ao Sol, além da participação fundamental da NASA e outros órgãos internacionais na coleta de dados.
Para além do espetáculo celeste que proporcionam, os cometas são considerados "cápsulas do tempo" cósmicas. Segundo a NASA, esses corpos de gelo, rocha e poeira são remanescentes da formação do nosso Sistema Solar, há 4,6 bilhões de anos. Por isso, cada missão e observação dedicada a eles oferece um vislumbre direto do nosso passado.
Com base em décadas de dados coletados por sondas, telescópios espaciais e observatórios, a agência espacial americana destaca alguns cometas que se tornaram marcos na história da ciência.
Cometa Halley (1P/Halley): O Ícone periódico
Nenhuma lista de cometas famosos estaria completa sem o 1P/Halley. Sua fama vem de sua previsibilidade. Foi o primeiro cometa a ter seu retorno corretamente previsto, provando que alguns desses visitantes celestes orbitam o Sol em rotas regulares.
Durante sua última passagem, em 1986, uma flotilha internacional de espaçonaves foi ao seu encontro. A NASA, através da sua Deep Space Network, desempenhou um papel crucial no rastreamento e na coleta de dados.
As imagens revelaram, pela primeira vez, a verdadeira natureza do núcleo de um cometa: um corpo escuro, de formato irregular e com jatos de gás e poeira emanando de sua superfície aquecida pelo Sol.
Shoemaker-Levy 9 (D/1993 F2): A grande colisão
O cometa Shoemaker-Levy 9 entrou para a história não por sua passagem pela Terra, mas por seu encontro fatal com Júpiter em 1994. Descoberto um ano antes, já estava fragmentado pela imensa gravidade do gigante gasoso.
A NASA apontou o Telescópio Espacial Hubble e a sonda Galileo, que estava a caminho de Júpiter, para testemunhar o evento. Os resultados, conforme documentado pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), foram espetaculares. A colisão deixou cicatrizes escuras na atmosfera de Júpiter, algumas maiores que o planeta Terra. O evento forneceu dados inéditos sobre a composição de um cometa e o papel de Júpiter como um "escudo cósmico", atraindo objetos que poderiam ameaçar os planetas internos.
Tempel 1 (9P/Tempel): O alvo do impacto
Em 2005, a NASA não se contentou em apenas observar. Com a missão Deep Impact, a agência lançou um projétil de cobre de 370 kg contra o cometa Tempel 1. O objetivo era criar uma cratera para estudar o material intocado abaixo da superfície.
Os dados da missão, gerenciados pela NASA, foram revolucionários. A análise do material ejetado revelou que o interior do cometa continha compostos orgânicos, gelo de água e uma estrutura surpreendentemente fofa e porosa, mais parecida com um "amontoado de entulho" do que com uma rocha sólida. Isso reforçou a teoria de que cometas podem ter trazido os blocos de construção da vida para a Terra primitiva.
67P/Churyumov-Gerasimenko: O mundo revelado
Embora a missão Rosetta ao cometa 67P tenha sido liderada pela Agência Espacial Europeia (ESA), a NASA foi um parceiro fundamental, fornecendo instrumentos cruciais. A missão, que orbitou e pousou no cometa entre 2014 e 2016, gerou um tesouro de informações analisadas por cientistas da NASA.
Os instrumentos da agência ajudaram a confirmar que o tipo de água no cometa 67P é significativamente diferente da água da Terra, desafiando a ideia de que cometas como ele foram a principal fonte dos nossos oceanos. Além disso, os dados revelaram um ambiente complexo, com penhascos, dunas de poeira e mais de 100 compostos orgânicos, incluindo alguns nunca antes detectados em um cometa.
ISON (C/2012 S1): O cometa que se desintegrou
O cometa ISON gerou grande expectativa em 2013 como um potencial "cometa do século". Era um "sungrazer", um cometa que passaria extremamente perto do Sol. A NASA mobilizou uma vasta gama de observatórios, incluindo o Solar and Heliospheric Observatory (SOHO) e a sonda STEREO, para acompanhar sua jornada.
No entanto, como os cientistas da NASA previram ser uma possibilidade, o ISON não sobreviveu ao encontro. A intensa radiação e a força gravitacional do Sol o fragmentaram. Embora decepcionante para o público, o evento foi um sucesso científico, proporcionando uma oportunidade única para estudar o ciclo de vida e a morte de um cometa em tempo real.
De Halley a ISON, cada um desses mensageiros gelados ofereceu à NASA e à comunidade científica global lições valiosas, transformando nossa visão sobre a origem, a composição e a dinâmica do nosso próprio Sistema Solar.
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