O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta quinta-feira (8), que a democracia precisa ser zelada com carinho e defendida com unhas e dentes, dia após dia.
A declaração do presidente da República foi feita durante cerimônia em alusão aos três anos dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, quando as sedes dos Poderes foram invadidas e depredadas.
“A tentativa do golpe em 8 de janeiro de 2023 veio nos lembrar que a democracia não é uma conquista inabalável. Ela será sempre uma obra em construção, sujeita ao permanente assédio de velhos e novos candidatos a ditadores. Por isso, a democracia precisa ser zelada com carinho. E defendida com unhas e dentes, dia após dia”, disse Lula.
“É preciso conscientizar as pessoas que a democracia é muito mais que uma palavra bonita nos dicionários. É mais do que o dever e o direito de votar no dia da eleição, e depois guardar o título de eleitor pelos próximos quatro anos. A democracia requer a participação efetiva da sociedade nas decisões de governo”, acrescentou.
Para Lula, a verdadeira democracia exige a construção de um país cada vez mais justo e menos desigual, com mais direitos e menos privilégios.
“Um país onde a saúde e a educação de qualidade sejam direito de todos, e não o privilégio de quem pode pagar por elas. Onde morar com dignidade, conforto e segurança seja um direito de todos, e não o privilégio dos que vivem nos bairros mais nobres. Onde a riqueza seja distribuída entre aqueles que trabalham para produzi-la, em vez de concentrada nas mãos de uma elite financeira. Foi esse país mais justo e menos desigual que os inimigos da democracia tentaram demolir no dia 8 de janeiro”, destacou o presidente.
8 de janeiro: vitória da democracia
Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Lula afirmou que o 8 de janeiro está marcado na história como o dia da “vitória da democracia”.
“Vitória sobre os que tentaram tomar o poder pela força, desprezando a vontade popular expressa nas urnas. Os que sempre defenderam a ditadura, a tortura e o extermínio de adversários, e pretendiam submeter o Brasil ao regime de exceção. Os que planejaram os assassinatos do presidente e do vice-presidente da República, e do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Os que exigem cada vez mais privilégios para os super-ricos, e menos direitos para quem constrói a riqueza do Brasil com o suor do seu trabalho”, disse.
“Vitória sobre os que não hesitariam em desmantelar outra vez as políticas de inclusão social, e devolver o Brasil ao Mapa da Fome. Os inimigos das conquistas dos mais carentes, da classe média e da classe trabalhadora. Os traidores da pátria, que conspiraram contra o Brasil para causar o caos na economia e o desemprego de milhões de brasileiros. Eles foram derrotados. O Brasil e o povo brasileiro venceram”.
Democracia não é uma conquista inabalável
No discurso, Lula pontuou que a tentativa de golpe de 8 de janeiro veio para lembrar que “a democracia não é uma conquista inabalável” e sempre será uma “obra em construção, sujeita ao permanente assédio de velhos e novos candidatos a ditadores”.
“Não faz muito tempo, as principais lideranças do golpe defendiam a ditadura. Eram favoráveis à tortura, e zombavam dos que foram torturados. Chamavam os direitos humanos de esterco da bandidagem. Mas foi graças à firmeza das nossas instituições democráticas que tiveram a garantia de um julgamento justo, e todos os seus direitos preservados”, reforçou Lula.
Julgamento no STF
Para Lula, talvez a prova mais contundente do vigor da democracia seja o julgamento dos golpistas, pelo Supremo Tribunal Federal.
“Todos eles tiveram amplo direito de defesa. Foram julgados com transparência e imparcialidade. E, ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas, e não com ilegalidades em série, meras convicções e PowerPoints fajutos”, declarou.
“Quero parabenizar a Suprema Corte, pela conduta irrepreensível ao longo de todo o processo. Julgou e condenou no estrito cumprimento da lei. Não se rendeu às pressões. Não se amedrontou diante das ameaças. Não se deixou levar por revanchismos. Saiu fortalecida. Sua conduta certamente será lembrada pela História”, acrescentou.
No final de sua declaração, Lula citou uma fala do poeta hispano-americano George Santayana. “‘Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo’. Em nome do futuro, não temos o direito de esquecer o passado”.
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