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Veja os principais pontos do depoimento de Mauro Cid ao STF

Militar o primeiro ouvido no âmbito do inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado; Bolsonaro será o sexto a depor

WESLEY BIÃO

09/06/2025 • 17:47 • Atualizado em 09/06/2025 • 17:47

Resumo

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi ouvido nesta segunda-feira (9) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito que apura a intentona golpista que buscava impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

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Ele foi o primeiro dos oito réus a ser inquirido pelo Supremo e confirmou a veracidade das denúncias feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Bolsonaro editou minuta do golpe

Cid afirmou que Bolsonaro recebeu, leu e editou a chamada “minuta do golpe”, documento que previa medidas para reverter os resultados das eleições que deram ao petista a vitória sobre o então presidente.

Segundo o coronel, quem levou o documento foi o ex-assessor de assuntos internacionais, Filipe Martins, com um “jurista” não identificado. A primeira versão do documento contava com uma parte de “considerandos”, que listava as possíveis interferências do STF e Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no governo Bolsonaro e nas eleições.

Havia, ainda, uma segunda parte que tratava sobre a prisão de autoridades, decretação de Estado de Defesa e de um conselho para “refazer as eleições”. De acordo com Cid, o ministro do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e outros ministros do Supremo estariam entre os presos.

Bolsonaro, então, teria “enxugado” o documento, deixando apenas a prisão de Alexandre de Moraes – e, segundo o ministro, dando um habeas corpus aos outros nomes.

Ex-presidente pressionou por mudanças em relatório

O militar confirmou que Bolsonaro pressionou o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para que ele tivesse uma posição mais “contundente” em relação à Comissão de Transparência das Eleições e que o documento produzido pela comissão que avaliava as urnas fosse “duro”.

“O General Paulo Sérgio tinha uma conclusão mais técnica, mas se tinha a tendência a se fazer algo mais político. No fim, se chegou a um meio termo, que foi o documento produzido e assinado”, afirmou.

Bolsonaro ‘tinha certeza’ que encontraria fraude

Cid confirmou que Bolsonaro não queria que os manifestantes saíssem da rua e “tinha certeza” que encontraria uma fraude e precisava do “clamor popular”, além de trabalhar com duas hipóteses: encontrar uma fraude nas eleições ou convencer as Forças Armadas a aderir um golpe de Estado. “Não foi algo explícito, foi minha visão do que estava acontecendo”, disse Cid.

Segundo Cid, ninguém apontou fraude real nas urnas. “Só aparecia estatísticas, dados que trabalhados computadores para tentar encontrar algo que pudesse levar a uma fraude, mas não se confirmou nada”, afirmou.

Dinheiro entregue aos 'kid pretos'

Mauro Cid confirmou que entregou, a pedido de Braga Netto, uma quantia em dinheiro em uma caixa de vinho ao então major Rafael de Oliveira. Ele disse não saber o valor e que foi entregue ao colega fardado no Palácio da Alvorada. Cid também apontou Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, como elo entre os acampamentos golpistas e a Presidência da República e como o integrante do grupo dos “moderados” dentre aqueles que pressionavam Bolsonaro a tomar uma decisão sobre as eleições.

Plano para matar Lula

O militar afirmou que sabia da existência da “Operação Punhal Verde e Amarelo” – um plano que previa o assassinato do presidente Lula e seu vice, Geraldo Alckimin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes – e que soube do caso pela imprensa.

O plano foi descoberto durante as investigações da Polícia Federal na Operação Contragolpe, que prendeu, em novembro, militares das Forças Especiais do Exército e um agente da própria PF suspeitos de envolvimento no caso.

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