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Deputados franceses votam projeto que proíbe redes sociais para menores

Presidente Emmanuel Macron defende uma resposta rápida diante do que chama de "crise silenciosa" da saúde mental dos jovens

Da redação
DA REDAÇÃO

26/01/2026 • 09:16 • Atualizado em 26/01/2026 • 09:16

Sonia Blota
Redes Sociais:

Os deputados franceses votam, nesta segunda-feira, um projeto de lei que pode mudar a rotina de milhões de adolescentes no país. A proposta prevê a proibição do uso de redes sociais por menores de 15 anos e também o banimento dos celulares nas escolas de ensino médio. A iniciativa tem o apoio firme do governo e conta com pressão direta do presidente Emmanuel Macron, que defende uma resposta rápida diante do que chama de "crise silenciosa" da saúde mental dos jovens.

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O debate ganhou força depois de um alerta oficial da Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e Ocupacional. Segundo o órgão, as plataformas têm impacto negativo comprovado sobre os adolescentes, com riscos que vão do cyberbullying à comparação constante, passando pela exposição a conteúdos violentos e pelos sistemas que prendem a atenção e prejudicam o sono.

As autoridades de saúde também associam o uso excessivo das redes ao aumento de depressão e ansiedade e, em casos mais graves, ao contato precoce com drogas e a episódios de automutilação e suicídio entre adolescentes — um dos pontos mais sensíveis do debate.

Pressão popular e o papel das Big Techs

O assunto domina a imprensa francesa. O jornal La Croix destaca a ação do coletivo Algos, formado por pais que processam gigantes das redes sociais acusadas de incentivar anorexia, depressão e suicídio por meio de algoritmos que empurram conteúdos nocivos de forma repetitiva. Para esses pais, a legislação é a única forma de enfrentar o poder das big techs.

Além da saúde mental, o governo liga o uso excessivo das redes à evasão escolar, à queda no rendimento dos alunos e ao sedentarismo. A avaliação é que o celular se tornou um concorrente direto da sala de aula.

Mas o projeto está longe de ser um consenso. Associações de pais e estudantes dizem que proibir é uma resposta simples demais para um problema complexo. Defendem mais educação digital e questionam a eficácia da medida, já que adolescentes poderiam driblar a restrição com o uso de VPNs. Especialistas alertam que uma proibição total pode ser interpretada como falta de confiança nos jovens e não resolve as causas profundas do problema.

Inspiração internacional

A França — que já baniu celulares em sala de aula — se inspira em experiências internacionais. A Austrália, por exemplo, já adotou restrições severas ao uso de redes sociais por menores, citando razões semelhantes: saúde mental, segurança e desempenho escolar. No país, já foram desativadas cerca de 4,7 milhões de contas identificadas como pertencentes a menores de 16 anos para cumprir a nova lei.

O desafio é novo, visto que as redes sociais são um fenômeno relativamente recente para adultos e crianças. Toda a sociedade precisa se envolver neste debate. Aqui na União Europeia, já foi aprovada uma regulamentação do setor e tudo passa pelo Parlamento, sem envolvimento judicial direto. A regulamentação não tem cunho político, e sim educativo e social, visando que crimes como pedofilia e tráfico sejam combatidos de forma eficaz.

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