
Lula e Trump
Ricardo Stuckert / PR
Em um telefonema de cerca de 40 minutos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que Washington evite qualquer escalada militar contra a Venezuela e sinalizou disposição para atuar como mediador na crise regional. A conversa, realizada na tarde desta terça-feira (2), foi descrita pelo governo brasileiro como “muito produtiva” e centrada em comércio e segurança.
Segundo auxiliares do governo, Lula fez questão de enfatizar as ações recentes do governo brasileiro contra o crime organizado — tema que tem sido usado pelos EUA como justificativa para endurecer o discurso contra o regime de Nicolás Maduro. O presidente afirmou a Trump que a América do Sul é “um continente de paz” e que qualquer movimento que aponte para um conflito representaria risco para toda a região.
Interlocutores afirmam que Lula se colocou formalmente à disposição para ajudar a evitar uma escalada e mediar um eventual impasse envolvendo Caracas.
O petista também elogiou a decisão recente da Casa Branca de retirar a tarifa adicional de 40% aplicada a produtos brasileiros como carne, café e frutas, medida que era alvo de pressão do agronegócio e de diplomatas brasileiros. Lula ponderou, no entanto, que outros itens continuam enfrentando barreiras e pediu a Trump que acelere as negociações para ampliar o acesso do Brasil ao mercado americano.
Na área de segurança, Lula reforçou a necessidade de intensificar a cooperação bilateral contra o crime organizado. Citou operações conduzidas pelo governo federal para asfixiar financeiramente facções brasileiras e disse ter identificado ramificações que atuam a partir do exterior, especialmente na América do Norte e na Europa.
De acordo com o Planalto, Trump demonstrou “total disposição” para colaborar e afirmou que pretende apoiar iniciativas conjuntas de enfrentamento às organizações criminosas transnacionais.
A ligação marca um movimento de reaproximação após meses de tensão diplomática entre os dois países. Lula e Trump concordaram em voltar a conversar “em breve” para acompanhar o andamento das negociações comerciais e das ações de segurança.
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