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Embaixador do Irã no Brasil chama de "valorosa" posição do governo Lula

Questionado pela reportagem da Band sobre possíveis impactos no fornecimento de fertilizantes para o Brasil, ele disse esperar que o conflito não impacte nas exportações deste insumo

Afonso Marangoni
AFONSO MARANGONI

02/03/2026 • 12:33 • Atualizado em 02/03/2026 • 12:33

Bastidores de Brasília
Lula

Lula

Ricardo Stuckert / PR

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, disse que a posição do governo brasileiro em condenar a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã é "valorosa".

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As declarações foram dadas em coletiva de imprensa na embaixada em Brasília. Ele falou em persa e foi traduzido por um intérprete. "Nós recebemos as manifestações do governo brasileiro sobre os ataques dos EUA e do regime sionista de Israel e agradecemos a condenação dos atos de agressão", afirmou.

"Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo do Brasil como uma ação valorosa que dá atenção aos valores do ser humano, soberania, integridade territorial e independência dos governos", continuou.

Questionado pela reportagem da Band sobre possíveis impactos no fornecimento de fertilizantes para o Brasil, ele disse esperar que o conflito não impacte nas exportações deste insumo.

'Campo de batalha'

O diplomata também descartou negociações com os Estados Unidos e Israel. O embaixador afirmou que os contatos em curso sobre o programa nuclear e o programa de mísseis balísticos era uma "farsa". Ele disse que seu governo vai definir "no campo de batalha" as consequências do bombardeio americano e israelense. Segundo o embaixador, os ataques iranianos tem como objetivo apenas instalações militares de Israel e dos EUA no Oriente Médio, sobretudo na região do Golfo.

O governo Trump tem pressionado as novas lideranças da burocracia estatal e religiosa do regime iraniano a negociar. Trump chegou a prever que a guerra dure certa de quatro semanas e disse em entrevistas que os iranianos indicaram desejo de conversar.

Ao falar sobre a guerra, o embaixador afirmou que "a mesa de negociação foi atacada pelo regime sionista e pelos americanos". "De forma explícita, eles manifestaram não buscam o um acordo nuclear eles buscam mudança de regime", afirmou o embaixador. "Os EUA e o regime sionista com apoio mútuo começaram as agressões e ataques usando das negociações".

O embaixador desconversou sobre o bloqueio do tráfego naval pelo estreito de Ormuz, um dos desdobramentos da guerra. Ele respondeu que Khamenei já havia alertado sobre os riscos de uma guerra regional se o país fosse atacado. Ele, no entanto, afirmou que Teerão não tem problemas com países árabes vizinhos, atingidos por mísseis nos últimos dias, e mira apenas unidades militares americanas.

Questionado sobre a capacidade iraniana de enfrentar uma conflito militar de longo prazo, o diplomata afirmou que o país se adaptou, em virtude dos longos anos de sanções, à produção nacional de equipamentos militares, como drones de alta qualidade, e vai resistir e reagir à altura dos ataques, sem impor limite algum na retaliação.

"O Irã está pronto para as piores situações possíveis", resumiu. "Nós nos defenderemos até que quem nos atacou recue."

Ghadiri descreveu que a burocracia do regime islâmico se reorganizou conforme previsto constitucionalmente, "de forma muito célere", e que a "defesa está contínua e poderosa".

Apesar do isolamento e da falta de socorro militar concreto até agora, o embaixador disse que agradece as manifestações de países amigos, como China e Rússia, e que respeita os pontos de vista de todos os países.

O embaixador também não deu uma explicação clara sobre os objetivos do Irã ao manter estoque de 400kg de urânio enriquecido a 60% - pouco abaixo do que o grau de pureza usado em armas nucleares, de 90%. Segundo ele, essa foi uma consequência do rompimento do acordo nuclear JCPOA, de 2015, por parte de Trump. O acordo previa manutenção do enriquecimento baixo, garantindo a pureza para fins pacíficos da energia, e o levantamento de sanções como contrapartida.

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