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“Estados Unidos abriram precedente para uma guerra mundial”, diz chanceler Celso Amorim

Assessor para assuntos internacionais da presidência da República diz que atitude dos EUA foi altamente perigosa

Por Redação
REDAÇÃO

22/06/2025 • 13:37 • Atualizado em 22/06/2025 • 13:37

O chanceler Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, disse que os Estados Unidos violaram a Carta da ONU ao atacar o Irã neste sábado (21). Amorim, em entrevista ao repórter Tulio Amâncio, da Band, disse que a atitude dos norte-americanos abrem precedente para uma possível guerra mundial. “É altamente preocupante porque não vivemos um momento qualquer, temos duas guerras amplas em andamento. Há um conflito no centro da Eurásia e no Oriente Médio”, avalia. “Se esses grupos se comunicarem, há uma grande possibilidade de estourar uma guerra mundial”.

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Amorim diz que a atitude de Donald Trump, em ordenar o bombardeio nas instalações nucleares de Fordow, Natanz e Esfahan, no Irã, uma operação denominada “Martelo da Meia-Noite”, violou a Carta da ONU. “A carta da ONU não reconhece uma auto-defesa preventiva que os Estados Unidos está usando em defesa de Israel”, afirmou. “Ninguém é a favor que o Irã tenha armas nucleares, mas tentamos resolver isso, a pedido do presidente dos EStados Unidos, inclusive, mas usando meios diplomáticos. Usar a força neste momento, de guerras, é altamente perigoso. Israel levou o conflito a um nível muito alto”.

Diferentemente do que ocorreu entre Estados Unidos e Iraque, quando houve uma tentativa de conciliação entre os países com a criação de um conselho de segurança, desta vez a operação ultrapassou o bom senso. “Não houve qualquer tentativa de conciliação”.

O chanceler ainda defendeu que os blocos têm o direito de se colocar do lado de quem quiser, mas quando mais defendem Israel neste conflito, mais difícil fica uma possível conciliação e bom senso. “No fundo, a operação é um estímulo maior às armas nucleares, já que a Coreia do Norte não foi bombardeada e o risco era igualmente grande”, avalia. 'Eu, particularmente, acho difícil que o Irã tenha [uma bomba nuclear], há anos ouvimos que eles levariam seis meses, a um ano de ter uma arma nuclear. Não é algo tão invisível que não pudesse ser denunciado".

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