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EUA: 65% desaprovam atuação de Trump no Irã; aprovação geral segue em 37%

Levantamento AP-NORC mostra rejeição à estratégia da Casa Branca e estabilidade na avaliação geral do presidente republicano

Da redação
DA REDAÇÃO

19/06/2026 • 09:58 • Atualizado em 19/06/2026 • 10:04

Donald Trump, presidente dos EUA, na Casa Branca

Donald Trump, presidente dos EUA, na Casa Branca

Evan Vucci/Reuters

A maioria dos americanos desaprova a forma como o presidente Donald Trump conduz o conflito com o Irã, mesmo após o anúncio de um acordo preliminar para encerrar os combates, enquanto sua popularidade geral permanece estável, aponta pesquisa AP-NORC realizada entre 11 e 17 de junho nos Estados Unidos.

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De acordo com o levantamento, 65% dos adultos dizem desaprovar a atuação de Trump no dossiê iraniano. Democratas e independentes registram ampla reprovação, e entre republicanos a parcela de insatisfeitos chega a 28%.

A avaliação específica sobre o Irã é similar à percepção sobre o desempenho global do presidente. A aprovação de Trump no cargo está em 37%, índice igual ao medido pela AP-NORC em maio.

A sondagem captou o humor do público após três meses de guerra contra o Irã e uma brusca mudança na estratégia do governo, que recuou nas ameaças de escalada militar e passou a apostar na retomada das negociações com Teerã.

Descontentamento com a guerra

Mesmo com um acordo no horizonte, 53% dos entrevistados afirmaram que a ação militar dos Estados Unidos no país persa "foi longe demais", ante 59% que tinham essa opinião em março.

Entre eleitores republicanos, cerca de quatro em cada dez consideraram a ofensiva "mais ou menos adequada", enquanto 37% avaliaram que ela não foi longe o suficiente, segundo a pesquisa.

Parte da base conservadora também demonstra frustração com os termos do pacto. Para David Farrington, independente de 79 anos com inclinação republicana que vive em Fort Worth, no Texas, o acordo se limita ao estreito e não enfrenta pontos centrais do programa nuclear iraniano.

Qualquer acordo sobre o estreito dificilmente é o que eu consideraria uma concessão reconhecível por parte do Irã", disse. "Então, considero isso um enfeite, que tenta fazer o acordo parecer melhor do que é

O pacto sobre o Estreito de Ormuz

O levantamento ocorreu enquanto Trump anunciava um entendimento com Teerã e autorizava o fim do bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde escoa boa parte do petróleo exportado pela região.

O acordo reabre o estreito sem cobrança de pedágios por dois meses, restabelece as conversas entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano e prevê a diluição do estoque de urânio altamente enriquecido do país.

Mesmo assim, a aprovação da atuação de Trump no Irã permanece baixa. Aproximadamente um terço dos adultos entrevistados diz aprovar a forma como o governo lida com o tema, patamar semelhante ao de maio.

Entre apoiadores e críticos, há cansaço com a prolongação do conflito. Donald McBride, independente de 28 anos residente em Plano, no Texas, afirmou ter votado em Trump, mas se opôs à guerra com o Irã.

Eu gostaria que a guerra acabasse. O objetivo original era derrubar o regime iraniano, e isso simplesmente não é possível. Eu não sei por que continuaríamos lutando

Israel e economia também dividem opinião

No que diz respeito a Israel, 34% dos americanos aprovam a maneira como o presidente conduz o tema, de acordo com a pesquisa.

As tensões entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aumentaram depois que o presidente criticou ataques recentes de Israel no Líbano, que, de acordo com a Associated Press, colocaram em risco as negociações entre Washington e Teerã.

Na avaliação do republicano James Huffman, de 69 anos, morador de Medway, em Ohio, a estratégia da Casa Branca em relação ao aliado histórico é equivocada.

Netanyahu não vai fazer tudo o que Trump quer. Ele vai fazer o que ele quer

Na economia, cerca de um terço dos entrevistados aprova a abordagem do governo, proporção que se mantém em linha com o mês anterior.

Para Joan Jones, independente de 64 anos que vive no noroeste da Flórida, há sinais de força na demanda interna, e as políticas do atual governo ajudam a sustentar a atividade econômica.

Já Patricia Bailey, republicana de 42 anos moradora de Parkersburg, na Virgínia Ocidental, diz sentir perda de poder de compra e cobra maior atenção do presidente às promessas feitas em campanha.

Os preços saíram do controle", relatou. "Acho que ele ficou tão distraído com a guerra que esqueceu algumas promessas antigas

Os resultados reforçam que a condução da guerra e da política para o Irã permanece impopular entre a maioria dos americanos, enquanto a aprovação geral de Trump continua em patamar baixo, mesmo após o anúncio do acordo preliminar.

Com informações do Estadão Conteúdo e da Associated Press.