Band Jornalismo

EUA atacam Irã pela terceira vez na semana após ataque a navio em Ormuz

Ofensiva ordenada por Trump responde ao ataque iraniano a cargueiro cipriota; Teerã mantém o Estreito de Ormuz fechado por tempo indeterminado

Da redação
DA REDAÇÃO

11/07/2026 • 21:22 • Atualizado em 12/07/2026 • 01:28

Donald Trump

Donald Trump

REUTERS/Kevin Lamarque

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou neste sábado (11) que concluiu uma nova rodada de ataques contra o Irã, depois que forças da Guarda Revolucionária iraniana atingiram outro navio comercial que atravessava o Estreito de Ormuz.

Compartilhar

É a terceira ofensiva americana contra o país nesta semana. Segundo o Centcom, os bombardeios começaram às 19h15 no horário da costa leste dos EUA (20h15 em Brasília) e foram determinados diretamente pelo presidente Donald Trump. De acordo com o comando, 140 alvos militares, entre depósitos de munição, redes de comunicação e vigilância foram atacados. A mídia estatal iraniana relatou uma série de explosões em cidades portuárias do país.

O alvo do ataque iraniano foi o GFS Galaxy, um porta-contêineres com bandeira do Chipre. Um tripulante civil está desaparecido, e a embarcação ficou impossibilitada de seguir viagem após um incêndio a bordo e danos significativos na casa de máquinas.

"Em resposta, os Estados Unidos estão impondo um custo elevado ao continuar reduzindo a capacidade do Irã de atacar marinheiros civis e navios comerciais que transitam livremente pelo estreito", afirmou o Centcom em comunicado.

Já Guarda Revolucionária do Irã afirmou, em resposta aos ataques, ter atingido um centro de comando na Jordânia. Outros países aliados dos norte-americanos na região, Catar e Emirados Árabes afirmaram ter interceptados ataques com mísseis e drones. Bahrein e Doha também foram alvos da ofensiva iraniana.

Nova ofensiva após navio atingido em Ormuz

A ofensiva ocorre após a Guarda Revolucionária iraniana anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz por tempo indeterminado, alegando ter atingido outra embarcação que navegava por uma "rota não autorizada", com os sistemas de rastreamento desligados.

A agência iraniana Fars informou que esse navio foi atingido por um míssil de cruzeiro após ignorar ordens para recuar. O Irã não divulgou a identificação da embarcação, a bandeira, o tipo de carga ou a situação da tripulação.

Segundo comunicado da Guarda Revolucionária (IRGC) reproduzido pela imprensa estatal, o estreito permanecerá fechado "até novo aviso" enquanto persistir o que Teerã classifica como "interferência americana" na região.

No campo diplomático, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, esteve em Mascate neste sábado para discutir mecanismos de segurança para a navegação com autoridades de Omã, que propôs duas rotas alternativas pelo estreito.

O Irã rejeitou a proposta e insiste em manter o controle das rotas sob sua autoridade. Omã afirmou que os dois países concordaram em continuar as conversas técnicas e políticas.

Teerã também acusa Washington de violar o acordo provisório ao revogar as isenções que permitiam ao país vender petróleo bruto no mercado internacional em dólares. "Só pode haver cooperação mútua", escreveu Araghchi no X. Trump declarou encerrado o cessar-fogo, mas disse que os EUA continuarão negociando.

A nova escalada se soma a uma sequência de ataques recíprocos que vêm marcando o confronto. Nos últimos dias, o Irã respondeu a bombardeios americanos atacando bases dos EUA no Golfo, incluindo instalações no Kuwait e no Bahrein, em meio à fragilidade do cessar-fogo firmado em abril.

O Estreito de Ormuz, por onde passa parte expressiva do petróleo consumido no mundo, tornou-se o epicentro da disputa, com o bloqueio iraniano de um lado e a escolta de navios pela Marinha americana de outro.

Com Estadão Conteúdo

Tópicos relacionados