
Israel
REUTERS/Ronen Zvulun/File Photo
Foi uma reunião “produtiva” que demonstrou “muito pouca diferença entre o que estamos analisando e onde queremos chegar”, declarou o presidente Donald Trump depois do encontro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida.
Para um ex-agente do Mossad, porém, “raro é ver o premiê Netanyahu sem maquiagem – e confesso que fiquei com medo”, ele escreveu no X. Para ele, também, Trump executou sua rotina de “lambidas” antes de “esfaquear seu hóspede no quarto dos fundos.”
São duas leituras possíveis. Elas foram precedidas de protestos do presidente Trump contra violações do cessar-fogo em Gaza, no Líbano e na Síria, e contra a violência de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia. Dizia-se que ele estava sem mais paciência para Netanyahu. Mas o premiê israelense saiu sem vestígios de esfaqueamento. E nem se tocou no polêmico reconhecimento de Israel à Somalilândia, que causou protestos internacionais, ao ser proclamado anteontem.
O líder da oposição israelense, Yair Lapid, comentou a visita do Netanyahu aos EUA: “Quando um primeiro-ministro israelense viaja para se encontrar com um presidente americano, desejamos-lhe sucesso, mas estou preocupado. Netanyahu vem a esta reunião sem nenhuma ideia coerente sobre Gaza. E quando você não tem uma ideia, alguém decide por você.”
A reunião “produtiva” não deu notícia sobre o avanço do cessar-fogo para sua segunda fase. Ela está paralisada pelo impasse: Israel não quer se retirar de Gaza com o Hamas armado e ainda no poder. O Hamas não quer entregar suas armas, enquanto Israel estiver ocupando seu território.
A Força Internacional em formação não quer a missão de desarmar os palestinos. A família do policial israelense cujo corpo é o único que não foi devolvido pelo Hamas, viajou à Flórida para pedir que não se inicie a segunda fase do cessar-fogo enquanto não o possam enterrá-lo. E sem o início da segunda fase não há reconstrução em Gaza.
A diferença pode ser “pequena”, mas é difícil de superar. O primeiro-ministro Netanyahu ainda levou o Irã como novo foco de tensão: os iranianos estão testando mísseis balísticos. O presidente Trump o apoiou. “Espero que o Irã não esteja tentando se fortalecer, acumulando armas e outras coisas”, disse ele. “Se estiverem, não estão usando os locais que destruímos, mas possivelmente outros.” Então, acrescentou, ameaçadoramente: “Se estiverem mesmo, não teremos outra escolha senão erradicar esse acúmulo muito rapidamente. Sabemos exatamente para onde estão indo, o que estão fazendo, e espero que não estejam fazendo nada.”
O presidente Trump não escondeu divergências com o premiê Netanyahu sobre a Cisjordânia por causa da violência dos colonos contra as oliveiras, os rebanhos de ovelhas e as casas dos palestinos. E a despeito dos protestos americanos contra a colonização, Israel anunciou a entrega de mais de mil novas casas a colonos, no momento em que a extrema-direita está em campanha para a anexação da Judeia e Samaria, os nomes bíblicos da Cisjordânia.
Coincidindo com o início do encontro em Mar-a-Lago, o ministro da Educação, Yoav Kisch, ligou para Donald Trump e o comunicou que lhe conferiu o mais prestigioso prêmio em Israel pela sua “excepcional contribuição ao povo judeu”. Netanyahu também recebeu um presente: clipes em que Trump o elogia por ser “forte”, “herói” e “esperto”. O destino deles é a campanha eleitoral desse ano que começa em Israel, e que a coligação governamental está abaixo da oposição nas sondagens de opinião pública.
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