
Donald Trump
REUTERS/Nathan Howard
Resumo
O Fórum Econômico de Davos deste ano é marcado por tensões entre Estados Unidos e Europa, principalmente devido ao desejo declarado de Donald Trump de anexar a Groenlândia, a guerra na Ucrânia e discussões sobre paz em Gaza.
O presidente francês Emmanuel Macron criticou as novas tarifas americanas, defendeu a soberania europeia e solicitou exercícios militares da OTAN na Groenlândia para abrir diálogo com os EUA sobre a segurança do território, enquanto Trump gera expectativa e preocupação com possíveis discursos agressivos e ameaças comerciais.
A União Europeia congelou a ratificação de um acordo comercial com os Estados Unidos, avalia taxar bilhões em produtos americanos, considera a venda de títulos americanos e discute até boicote à Copa do Mundo como resposta a possíveis medidas de Trump, em meio a temores de crise econômica global e busca por soluções diplomáticas.
O Fórum Econômico de Davos, encontro global que acontece todo ano, há 55 anos, segue nesta quarta-feira (21), para tratar dos maiores problemas do planeta. Porém, este ano, as tensões entre Estados Unidos e Europa ofuscaram os outros assuntos: a guerra na Ucrânia, o conselho de paz em Gaza e, principalmente, o desejo anunciado pelo líder americano, Donald Trump, em anexar a Groenlândia — território autônomo da Dinamarca — aos Estados Unidos.
Ontem, chamando a atenção por estar usando óculos esportivos — justificado por uma irritação no olho direito —, o presidente francês, Emmanuel Macron, foi firme em seu discurso:
"A soberania das nações não é uma mercadoria em um balcão de negócios. Aqueles que acreditam que podem redesenhar o mapa do mundo através da coerção econômica ou de ameaças digitais encontrarão uma Europa unida e pronta para defender o direito internacional e seus aliados."
De volta a Paris, Macron solicitou exercícios militares na maior ilha do planeta reunindo toda a OTAN, incluindo os EUA, que fazem parte da aliança militar. É mais uma tentativa de abrir um diálogo com o presidente americano sobre a segurança da Groenlândia.
Trump, que está onipresente no fórum, chega nesta quarta-feira a Davos e faz o seu tão esperado discurso. A chegada está com três horas de atraso em relação à agenda, já que seu avião, o Air Force One, teve problemas técnicos e o presidente americano precisou trocar de aeronave.
A Europa prende a respiração e teme um discurso muito agressivo de Trump, depois da chamada "Noite Maluca", quando ele pegou seu celular e disparou toda a artilharia contra os países do bloco. O que se discute por aqui é justamente como conter Donald Trump e, em caso de concretização de aumento de tarifas comerciais, qual será a resposta europeia?
O acordo comercial assinado em 2025, entre os Estados Unidos e a União Europeia, precisa ser ratificado no Parlamento Europeu. Só que, depois de tanta confusão, os trâmites foram congelados. Além disso, os europeus falam em taxar 93 bilhões de euros de importações de produtos americanos, o que corresponde a 580 bilhões de reais. É dinheiro!
“Bazuca financeira”
A Europa também estuda a hipótese de usar a cláusula do bloco chamada de "Bazuca Financeira", que impediria todos os membros da União Europeia de negociar serviços americanos. Ou seja: os mais afetados seriam empresas de tecnologia e do mercado financeiro.
Há também a possibilidade de outra arma econômica: a venda, por parte dos europeus, de títulos americanos. O que poderia dar um tranco no dólar e aumentar os juros americanos, afetando a economia dos Estados Unidos. E isso se daria depois de a Rússia e a China, além de outros países, já estarem vendendo títulos americanos em maior ou menor escala.
Lembrando que, depois de os Estados Unidos terem confiscado as reservas russas, acendeu um alerta no mundo. Não é à toa que estamos vendo o preço do ouro disparando: cenário típico de crises econômicas globais.
“Faça a América ir embora”
Claro que um jogo sério como este gera consequências sérias para todos os envolvidos, não somente para os norte-americanos. Mas são caminhos que estão sendo discutidos por todos os "players". Até a Copa do Mundo está entrando neste tabuleiro. A ministra dos Esportes da França, Marina Ferrari, disse que, no momento, não há vontade de boicotar o evento, mas há uma corrente crescente na Europa que — caso a crise escale — deseja usar também essa arma.
Além da Groenlândia, a Copa do Mundo — que acontece nos Estados Unidos, México e Canadá — é um evento que faz brilhar os olhos de Donald Trump. Apesar da tensão crescente, o mundo ainda aposta em uma saída diplomática. Afinal, são milhões (ou bilhões) de vidas envolvidas neste tabuleiro e muitos interesses econômicos em jogo.
O primeiro-ministro da Groenlândia pediu à população da ilha que comece a se preparar para uma invasão militar ao território. Lojas de souvernis começam a vender bonés vermelhos com a inscrição "Faça a América ir embora".
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber


