
Marcelo Aro, ex-secretário da Casa Civil do governo de MG
Câmara dos Deputados/Divulgação
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirmou nesta quinta-feira (30) que o ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP) comunicou que articula uma candidatura própria ao governo do Estado, rompendo com o grupo político de Romeu Zema (Novo) e com a chapa que busca a reeleição ao Palácio Tiradentes.
Ruptura com o grupo de Zema
Inicialmente, aliados tratavam Aro como nome certo para disputar o Senado na coligação de Simões. Ele, porém, não aceitava que a segunda vaga ao Senado ficasse com o presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (PSD), o que abriu espaço para o afastamento.
Marcelo Aro vinha gestando a própria candidatura nos bastidores. Ele ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão e foi procurado pela reportagem, que aguarda posicionamento.
Segundo Simões, o ex-secretário vinha negociando havia semanas com outros partidos e deixou claro seu incômodo com a composição da chapa governista.
O ex-secretário Marcelo Aro me comunicou hoje que está há algumas semanas negociando a candidatura dele ao governo do Estado. Disse que eu deveria estar esperando isso, já que ele não estava satisfeito com a presença de Carlos Viana na minha chapa
Na visão de Simões, a decepção é maior porque Aro foi seu aluno e passou a integrar o governo após perder a eleição para o Senado em 2022.
Enfim, anunciou que está virando as costas para o projeto, não só o meu projeto, também o do governador Romeu Zema, que foi quem o trouxe para o governo originalmente, e que seguirá nessas conversas dele com União, PP, PL e Republicanos
Disputa por apoio de Republicanos e PL
A candidatura de Aro ganhou força depois de o Republicanos retirar o apoio à reeleição do senador Cleitinho Azevedo, líder nas pesquisas em Minas. O ex-secretário busca construir uma aliança com Republicanos e PL e tenta ocupar o espaço aberto com a indefinição em torno de Cleitinho.
Conforme narrou Simões, Aro ponderou que a decisão de concorrer ao governo ainda depende da posição final do Republicanos sobre Cleitinho.
Ou seja, a ponderação dele a essa altura não é sequer sobre a minha candidatura, mas é se ele vai ter o espaço todo que ele espera do lado de lá
Apesar de o partido ter anunciado que Cleitinho não disputará o governo, o senador pretende se reunir com o presidente nacional da sigla, deputado Marcos Pereira, para tentar reverter a decisão.
Com eventual apoio do PL, Aro passaria a ser o palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo maior colégio eleitoral do País. Ele estaria disposto a ceder uma vaga ao Senado para o deputado federal Domingos Sávio (PL, MG).
O PL, porém, ainda discute internamente se fecha acordo com Aro ou se lança candidatura própria ao governo, com nomes como o ex-presidente da Fiemg Flávio Roscoe e o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli em avaliação.
Pela costura em discussão, caberia ao Republicanos a segunda vaga ao Senado. Uma possibilidade é que Cleitinho indique o irmão, o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo (Republicanos), para ocupar o posto.
Impacto na base aliada do governo
Marcelo Aro se consolidou como um dos principais articuladores políticos do segundo mandato de Romeu Zema. Além da Casa Civil, ele comandou a Secretaria de Governo, responsável pela interlocução com os prefeitos mineiros.
Segundo aliados, Aro se reuniu com praticamente todos os 853 prefeitos do Estado, o que ampliou sua influência nas bases municipais.
Ele deixou o governo em abril, dentro do prazo legal de desincompatibilização para quem pretende disputar as eleições deste ano.
Mesmo após a saída, manteve aliados em cargos estratégicos, como o secretário de Governo, Castellar Neto. A expectativa agora é que Castellar e outros integrantes do grupo político ligado a Aro peçam exoneração, consolidando o desembarque da base de Simões.
Trajetória política de Marcelo Aro
Marcelo Aro iniciou a carreira política como vereador de Belo Horizonte em 2012. Em seguida, elegeu-se deputado federal em 2014 e foi reeleito em 2018.
Após não conseguir se eleger senador em 2022, Aro foi convidado por Zema para integrar o primeiro escalão do governo estadual.
Na política de Belo Horizonte, o ex-secretário mantém forte influência por meio de um grupo de vereadores que se autointitula "Família Aro". Um irmão de Marcelo Aro preside a Federação Mineira de Futebol (FMF), o que reforça sua presença em diferentes espaços de poder no Estado.
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