Band Jornalismo

Ex-sócio do Master desiste de prestar depoimento à PF sobre fraudes com BRB

Augusto Lima cancelou oitiva após ser alvo de nova fase da Operação Compliance Zero

Da redação
DA REDAÇÃO

18/06/2026 • 13:35 • Atualizado em 18/06/2026 • 13:37

Augusto Lima

Augusto Lima

Paulo Mocofaya/Agência ALBA

O empresário e banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, desistiu de prestar depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (18), em Brasília, sobre suspeitas de fraude na tentativa de venda de carteiras de crédito ao Banco Regional de Brasília (BRB), após se tornar alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero.

Compartilhar

Depoimento trataria de suposta fraude no BRB

Lima seria ouvido pelos investigadores sobre sua participação na operação que envolveu o BRB e a suposta fabricação de falsas carteiras de crédito vendidas ao banco público de Brasília.

Segundo a investigação, essas carteiras teriam sido montadas de forma artificial e repassadas ao BRB em operações estruturadas com o Banco Master, do qual Augusto Lima já foi sócio ao lado de Daniel Vorcaro.

Fontes ligadas ao caso apontam que o depoimento do banqueiro era considerado um dos mais relevantes desta fase final do inquérito que apura as responsabilidades pela tentativa de venda dessas carteiras ao BRB.

Nova fase mira supostas propinas e consignado na Bahia

A nova etapa da Operação Compliance Zero concentra-se em suspeitas de pagamento de propina por parte de Augusto Lima ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

De acordo com as investigações, a PF também apura supostas irregularidades na implantação de um sistema de crédito consignado para servidores estaduais da Bahia, à época em que Jaques Wagner ocupava o cargo de governador.

Diante desses novos fatos e do avanço das diligências, a defesa de Augusto Lima decidiu cancelar o depoimento, que estava marcado para esta quinta-feira e integrava a rodada de oitivas desta fase da apuração sobre o BRB.

A Polícia Federal também colhe depoimentos de outros ex-gestores do Banco Master e do BRB, em cronograma que deve se estender até o mês de julho, segundo interlocutores próximos à investigação.

Defesa diz que diligências são “desnecessárias”

Em nota, a defesa de Augusto Lima criticou as medidas de busca e apreensão cumpridas nesta quinta-feira e afirmou que o cliente já vinha colaborando com as autoridades.

“As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, pois há seis meses ele está à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração”, afirmam os advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello.

Os defensores também sustentam que a nova fase da investigação não aponta irregularidades nas condutas de Lima.

“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”, completam os advogados.

A PF não detalhou oficialmente o conteúdo dos depoimentos nem o estágio das investigações, que seguem em sigilo.

Com informações do Estadão Conteúdo.