
Aeroporto de Guarulhos
Rovena Rosa/Agência Brasil
As ocorrências envolvendo falsas ameaças de bomba em aeronaves e aeroportos brasileiros cresceram 68% em menos de um ano, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Entre janeiro e outubro deste ano, pelo menos 37 ocorrências foram registradas em aeroportos ou voos operados no Brasil, contra 27 casos em todo o ano de 2024.
Em todos os episódios, as ameaças se mostraram falsas e resultaram em inúmeros transtornos, como na mobilização desnecessária das forças de segurança e nos prejuízos para passageiros e companhias aéreas, que enfrentam cancelamentos de voos e desvios de rotas.
No fim de outubro, a Polícia Federal isolou parcialmente o Aeroporto de Salvador (BA) após suspeita de bomba. Um dia antes, o voo AD 2818, da Azul, que partiria de Curitiba (PR) para Guarulhos (SP), foi cancelado após um passageiro afirmar falsamente que havia um explosivo a bordo. A polícia isolou o avião e os 170 passageiros desembarcaram. Toda a aeronave, bagagens e área de embarque passaram por uma varredura completa, e nada foi encontrado.
Em agosto, um avião da Azul que seguia de São Luís (MA) para o Aeroporto de Viracopos, em São Paulo, também precisou ser desviado após um bilhete com ameaça de bomba ter sido encontrado em um dos banheiros da aeronave. Os pilotos do voo AD4816 declararam “mayday” à torre de controle e fizeram um pouso de emergência na pista do Aeroporto Internacional de Brasília. Em novembro, a PF deflagrou uma operação e cumpriu um mandado de busca e apreensão no endereço ligado à principal investigada, em Santa Catarina.
“Essas falsas comunicações mobilizam Polícia Federal, Bope e equipes de segurança aeroportuária, e provocam atrasos em cadeia no sistema aéreo. No caso de Curitiba, por exemplo, cerca de 400 pessoas foram diretamente afetadas, incluindo quem aguardava o avião no destino. Isso mostra o tamanho do impacto de uma brincadeira que, na verdade, é crime”, explica o superintendente de Infraestrutura Aeroportuária da ANAC, Giovano Palma.
Os responsáveis pelas falsas comunicações podem enfrentar consequências graves, segundo a legislação em vigor. O passageiro pode ser preso e responder judicialmente.
“O artigo 261 do Código Penal prevê de 2 a 5 anos de reclusão e multa por expor a perigo a segurança de uma aeronave. E isso pode ser combinado com outros artigos, como comunicação falsa de crime e interrupção de serviço público”, detalha Palma.
O aumento dos casos pode estar relacionado ao comportamento irresponsável de alguns internautas e influenciadores digitais.
“Temos visto pessoas fazendo vídeos e desafios em redes sociais, simulando deixar mochilas suspeitas em aeroportos, apenas para gerar engajamento. Isso é extremamente perigoso e inaceitável. A aviação não é palco para brincadeiras ou exposição midiática”, reforça o superintendente da ANAC.
De acordo com o órgão regulador, o ambiente aeroportuário é altamente monitorado e seguro. O esquema de segurança garante a inspeção rigorosa para todos os passageiros, bagagens e cargas. Além disso, os aeroportos contam com câmeras, equipamentos de inteligência artificial e funcionários treinados para identificar comportamentos suspeitos.
O que diz a legislação
Segundo o Código Penal Brasileiro, expor a perigo a segurança de transporte público, como aviões, trens ou navios, é crime, com pena de 2 a 5 anos de reclusão e multa. A legislação também prevê detenção de 1 a 6 meses ou multa para quem provocar alarme falso, anunciando desastre ou perigo inexistente.
“A aviação é um espaço de confiança, responsabilidade e segurança. Qualquer brincadeira que comprometa tem consequências graves. É fundamental que as pessoas entendam: falsa ameaça de bomba não é piada, é crime”, conclui Palma.
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