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Fim da escala 6x1: José Velloso alerta para risco de colapso e queda no PIB

José Velloso defende a negociação coletiva em vez de imposição legal e aponta que a falta de automação e o alto custo de capital impedem redução imediata da jornada no Brasil

Da redação
DA REDAÇÃO

16/02/2026 • 21:54 • Atualizado em 16/02/2026 • 21:54

Enquanto a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados avança na análise da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6x1, representantes do setor produtivo acendem o sinal de alerta.

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Em entrevista ao BandNews TV, José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), classificou a proposta como uma "agenda negativa" para o país se feita via imposição legal, prevendo impactos severos na economia e no emprego.

Para o executivo, a mudança drástica na legislação trabalhista ignora as diferentes realidades dos setores econômicos e a baixa produtividade nacional.

Flexibilidade versus Imposição

Velloso defende que a redução da jornada deve ocorrer via livre negociação entre sindicatos patronais e laborais, e não por uma lei que "ingessa" a economia. Segundo ele, muitos segmentos da indústria já operam no modelo 5x2 e com jornadas próximas a 40 horas semanais, fruto de acordos coletivos.

No entanto, ele argumenta que setores como comércio, serviços e agropecuária não possuem a mesma capacidade de adaptação.

"Não são todas as empresas que podem fazer essa mudança. Quem trabalha com pecuária, por exemplo, tem animais que se alimentam todos os dias. A realidade é diferente da indústria", pontuou.

O Gargalo da Produtividade

O ponto central da crítica da Abimaq reside na comparação da produtividade brasileira com o restante do mundo. Velloso apresentou dados alarmantes: o Brasil ocupa a 100ª posição global em produtividade por trabalhador e a 91ª por hora trabalhada.

"A produtividade do trabalhador brasileiro é um terço da norte-americana. E não é culpa do trabalhador, mas da falta de investimento em capital e treinamento", explicou.

O dirigente desmistificou o argumento de que o avanço tecnológico já permite a redução da jornada no Brasil, citando o baixo nível de automação do parque industrial nacional:

  • Brasil: 10 robôs para cada 10 mil trabalhadores.
  • Média Mundial: 162 robôs para cada 10 mil trabalhadores.
  • China: 470 robôs.
  • Coreia do Sul: 1.080 robôs.

"Dizer que a tecnologia implantada permite a redução da jornada é verdade na OCDE e no G20, mas não é verdade aqui no Brasil", afirmou Velloso, citando o alto custo de capital e juros elevados como barreiras para a modernização das máquinas.

Impacto Econômico e Risco de Desemprego

Baseando-se em estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Velloso projetou um cenário de retração econômica caso a PEC seja aprovada sem as devidas contrapartidas de produtividade:

  • Perda no PIB: Estimada entre 11,3% e 16%.
  • Inflação de custos: Aumento geral de cerca de 20% na economia.

O presidente da Abimaq alertou ainda que a medida pode ter efeito reverso, gerando aumento da informalidade, "pejotização" e substituição acelerada de mão de obra por máquinas sem o devido preparo educacional dos trabalhadores.

Contexto Eleitoral e Exemplos Internacionais

Velloso criticou o "açodamento" da discussão, atribuindo a aceleração da pauta à proximidade do calendário eleitoral. Ele citou o exemplo da Bélgica, onde foi permitida a semana de quatro dias, mas com baixíssima adesão (menos de 1%), pois envolvia negociações salariais que não interessaram aos trabalhadores.

"O Brasil precisa fazer a lição de casa antes: melhorar a educação, o treinamento técnico e o custo de capital para investir em automação. Fazer isso na canetada, em ano eleitoral, pode ser um colapso para muitas empresas", concluiu.

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