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Fome e reclusão: Irmãos de menino morto pelo pai no RS relatam maus-tratos

Quatro crianças, de 1 a 9 anos, estão sob cuidado do estado; os pais permanecem presos

Da redação
DA REDAÇÃO

11/07/2026 • 09:26 • Atualizado em 11/07/2026 • 09:26

A morte de Oliver Grayson, de 3 anos, espancado pelo pai em Viamão (RS), revelou um cenário de horror que se estendia aos quatro irmãos do menino. Enquanto as inv estigações continuam, surgem mais detalhes sobre o cotidiano das outras crianças --de 1, 5, 7 e 9 anos-- que viviam em isolamento e com privação alimentar.

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Testemunhas afirmam que as crianças eram vistas comendo casquinhas de árvore no chão para driblar a fome, já que raramente recebiam alimentação adequada. O pai, o americano D'Andre Grayson, de 33 anos, mantinha um controle rígido sobre o pátio da residência, impedindo a aproximação de qualquer pessoa.

Um pastor que tentava prestar auxílio à família relatou que as crianças eram escondidas sempre que alguém chegava à casa. O suspeito, que se identificava como missionário apesar de não possuir vínculo formal com igrejas, utilizava uma interpretação distorcida de preceitos religiosos para manter o domínio sobre a esposa e os filhos.

No armário da residência, versículos em inglês reforçavam a ideia de que a mulher deveria se submeter ao marido em tudo.

Marcas da violência

Após a prisão dos pais, os quatro irmãos de Oliver foram encaminhados para abrigos e submetidos a exames que constataram diversas lesões por seus corpos. Duas das irmãs relataram que as agressões também partiam da mãe, a japonesa Mayana Rogers, de 29 anos.

A tragédia expõe, ainda, uma grave falha na rede de proteção infantil. A família já possuía registros de violência em São Paulo e Santa Catarina, onde as crianças chegaram a passar quatro meses em abrigos antes de serem devolvidas aos pais.

Em Viamão, embora o Conselho Tutelar tenha recebido a primeira denúncia em novembro de 2025, uma visita realizada em fevereiro deste ano não constatou maus-tratos. Oliver foi morto antes que uma nova inspeção, agendada para julho, pudesse ocorrer.

Atualmente, os pais permanecem presos. D'Andre confessou ter espancado Oliver porque não gostou da resposta do filho a um "bom dia", enquanto os quatro sobreviventes seguem sob proteção do Estado.

Morte de Oliver

Após ser espancado, Oliver Golden Grayson, de 3 anos, foi socorrido no último domingo (5) e chegou a ficar internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital em Porto Alegre, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na noite de quarta-feira (8).

D'Andre afirmou ter desferido socos no peito e no abdômen de Oliver, além de ter batido com a cabeça do menino contra o chão. Ele foi preso no dia 5.

A mãe de Oliver, Mayanna Angelina Rodgers, foi presa preventivamente na quinta-feira (9). Em depoimento, D'Andre disse que, no momento das agressões, ela estaria em outro cômodo e não teria presenciado o crime. A Polícia Civil, no entanto, apura eventual participação direta dela no crime.