
Imagem de Nicolás Maduro com uniforme de presidiário é falsa e criada por IA
Reprodução
A imagem que circula nas redes sociais e em aplicativos de mensagens mostrando o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, com uniforme de detento e cabelo raspado é falsa. A fotografia foi gerada por ferramentas de Inteligência Artificial (IA) e não condiz com os registros oficiais do sistema prisional dos Estados Unidos.
Verificação técnica e marcas de IA
Pelo menos duas ferramentas especializadas na detecção de conteúdos sintéticos confirmaram que a imagem foi criada digitalmente. O SightEngine apontou 69% de chances de a foto ser artificial. Já o SynthID, tecnologia desenvolvida pelo Google DeepMind para identificar marcas d’água invisíveis em arquivos gerados por computador, constatou a manipulação do material.
Além da análise tecnológica, detalhes físicos de Maduro evidenciam a fraude. Em fotos reais, o venezuelano possui uma pinta característica no lado direito do queixo. Na imagem que viralizou, o rosto do ex-mandatário aparece liso, sem qualquer sinal ou marca de nascença, o que reforça a natureza artificial da peça.
O registro oficial no sistema americano
Atualmente, Maduro consta no sistema do Departamento Federal de Prisões dos Estados Unidos (BOP, na sigla em inglês). Ele está localizado no Centro Metropolitano de Detenção (MDC) no Brooklyn, em Nova York. No entanto, a página oficial da instituição não disponibiliza nenhuma foto do detento.
Outro ponto de divergência está na numeração de identificação. O número de registro interno que consta no site oficial do BOP difere totalmente do código estampado no uniforme que aparece na imagem manipulada. A discrepância técnica é mais um elemento que desmente a veracidade do conteúdo compartilhado.
Regras prisionais e inconsistências
As normas das penitenciárias federais norte-americanas também não dão suporte ao que é mostrado na foto fake. Diferentemente do que sugere a publicação, o regulamento do BOP não obriga os presos a rasparem o cabelo, a barba ou o bigode ao entrarem no sistema.
Segundo o manual de normas da instituição, o uso de coberturas para cabelo e barba só é exigido caso o detento desempenhe funções em serviços de alimentação. Portanto, o visual "raspado" apresentado na imagem não faz parte do protocolo padrão de encarceramento nos Estados Unidos.
Uniformes e identificação
A imagem falsa exibe um número de registro estampado diretamente no peito do uniforme, mas essa prática não é uma regra absoluta. Embora os detentos do MDC Brooklyn recebam roupas da própria unidade, os uniformes não possuem necessariamente números de identificação gravados de forma visível como ilustrado na postagem viral.
O uso de inteligência artificial para criar contextos falsos sobre figuras públicas tem se tornado recorrente, exigindo atenção redobrada aos detalhes técnicos e aos canais oficiais de comunicação governamental.
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