
Bezalel Smotrich, ministro das Finanças de Israel
REUTERS/Ronen Zvulun/File Photo
Em retaliação à política de assentamentos de Israel na Cisjordânia, a França proibiu o ministro das Finanças de Israel, o ultradireitista Bezalel Smotrich, de viajar ao país europeu.
A decisão, anunciada nesta terça-feira (6) pelo ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, faz parte de um pacote de sanções impostas por França, Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Noruega. O objetivo é responsabilizar colonos extremistas pela violência contra civis palestinos.
Smotrich é responsável pela política de assentamentos de Israel. Barrot justificou a proibição de entrada dele na França argumentando que ele "promove ativamente" a anexação da Cisjordânia, a expansão dos assentamentos israelenses na região, o restabelecimento de assentamentos na Faixa de Gaza e políticas voltadas ao colapso econômico da Autoridade Palestina, que governa a Cisjordânia.
"Esta é uma política que a grande maioria da comunidade internacional, que apoia firmemente a solução de dois Estados, não pode aceitar", escreveu Barrot na rede social X.
Smotrich é o 2º ministro israelense barrado na França
Smotrich, que lidera um partido religioso de ultradireita, ordenou recentemente a remoção de uma vila palestina na Cisjordânia que há muito tempo vinha sendo alvo das autoridades israelenses.
Ele é o segundo ministro israelense proibido de entrar na França. Em 23 de maio, o governo francês aplicou a mesma sanção ao ministro israelense de Segurança Nacional, Itamar Ben‑Gvir, citando seu comportamento "inadmissível" contra ativistas de uma flotilha rumo a Gaza que foram detidos por forças sob seu comando.
Ben Gvir e Smotrich fazem parte da coalizão de direita do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Outros países já haviam proibido a entrada dos dois ministros.
Além de Smotrich, a proibição de entrada na França também se aplica a quatro líderes de organizações de colonos e a 21 colonos violentos.
Na declaração conjunta divulgada nesta terça, os seis países afirmam que colonos extremistas violentos — apoiados por simpatizantes — continuam a realizar ataques contra palestinos, expulsando-os, destruindo suas propriedades e expandindo assentamentos ilegais. Isso, argumentam, compromete a viabilidade de um Estado palestino e as perspectivas de coexistência pacífica.
"Por muito tempo, colonos violentos puderam agir quase com impunidade, e a expansão e criação de postos avançado continua, com o apoio e a facilitação do governo de Israel", afirmam.
Israel acusa países de incentivar o antissemitismo
O Ministério do Exterior de Israel rejeitou firmemente as novas sanções, classificando-as como medidas que alimentam ainda mais o antissemitismo nos países sancionadores.
Para Tel Aviv, as medidas são uma tentativa de impor uma posição política sobre o conflito israelo-palestino e sobre o direito dos judeus de se estabelecerem na Terra de Israel.
As sanções foram anunciadas no mesmo dia em que um relatório da ONU apontou o envolvimento direto de autoridades israelenses em ataques de colonos que mataram, feriram e deslocaram palestinos na Cisjordânia ocupada. O inquérito também acusou as forças de segurança de Israel de darem cobertura para esses atos.
A Cisjordânia, que está sob ocupação israelense desde 1967, é um território reivindicado pelos palestinos para a criação de um futuro Estado. Ainda assim, mais de 700 mil colonos vivem ali e em Jerusalém Oriental, o que tem gerado conflitos violentos, especialmente desde a eclosão da guerra em Gaza, em outubro de 2023.
A maioria dos países e a principal corte da ONU consideram esses assentamentos uma violação do direito internacional, o que Israel contesta citando vínculos históricos e bíblicos com a terra.
ra (dpa, AP, AFP)
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

