O Hamas entregou nesta terça-feira (14) mais quatro corpos de reféns mortos depois que Israel anunciou que irá reduzir a ajuda humanitária à Faixa de Gaza e de o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar usar de violência contra o grupo militante palestino caso ele não se desarme.
Um dia após Trump discursar em Jerusalém, promovendo seu plano para encerrar a guerra, os combatentes ressurgentes do Hamas executaram homens nas ruas, e Israel informou às Nações Unidas que permitirá a entrada de apenas metade dos caminhões com ajuda previstos no acordo de cessar-fogo da semana passada.
Autoridades israelenses disseram que Israel decidiu restringir a ajuda e adiar a abertura da fronteira com o Egito porque o Hamas violou o cessar-fogo ao não entregar todos os corpos dos reféns mortos após a invasão de 2023.
Horas depois, o Hamas informou aos mediadores que transferiria quatro corpos para Israel. Mais tarde, as autoridades israelenses afirmaram que a Cruz Vermelha havia recebido quatro caixões do Hamas e estava a caminho para entregar os restos mortais às forças israelenses.
Se confirmadas as identidades, o número total de reféns mortos entregues pelo Hamas desde o início do cessar-fogo chegará a oito, deixando 20 ainda na Faixa de Gaza.
O governo israelense garantiu que “todas as famílias dos reféns foram informadas” e que está com elas “neste momento difícil”.
Os corpos devolvidos foram identificados como:
Bipin Joshi, estudante nepalês de 24 anos;
Guy Illouz, de 26 anos, sequestrado no festival Nova;
Daniel Peretz, de 22 anos, capitão de blindado;
Yossi Sharabi, de 53 anos, morto em ataque aéreo em Gaza.
Em troca, Israel enviou os restos mortais de 45 palestinos de volta para Gaza.
Trump: "Se não se desarmarem, nós os desarmamos"
“Se eles não se desarmarem, nós os desarmamos”, declarou Trump em Washington após retornar do Oriente Médio.“E isso acontecerá de forma rápida e talvez violenta.”
O Hamas – considerado uma organização terrorista por alguns países – recuperou o controle das ruas de Gaza após a retirada parcial das tropas israelenses.
Em um vídeo divulgado na segunda-feira, combatentes do Hamas executaram sete homens amarrados nas costas diante de dezenas de pessoas. A Reuters confirmou a autenticidade das imagens.
Na véspera, Trump proclamou o “amanhecer histórico de um novo Oriente Médio” ao Parlamento israelense, enquanto Israel e o Hamas trocavam os últimos 20 reféns israelenses vivos por cerca de 2 mil prisioneiros palestinos.
Obstáculos à paz permanente
Moradores relataram que combatentes do Hamas voltaram a se posicionar nas rotas de ajuda, e confrontos entre facções palestinas deixaram dezenas de mortos.
Ataques israelenses com drones e aviões também mataram palestinos em diferentes áreas de Gaza.O Hamas acusou Israel de violar o cessar-fogo, enquanto Tel Aviv afirmou ter reagido a tentativas de avanço sobre suas posições.
Uma cúpula organizada por Trump no Egito terminou sem avanços no plano de criar uma força internacional para Gaza.
Fome continua em Gaza
Mais de meio milhão de palestinos sofrem com a fome, e a ajuda humanitária segue bloqueada ou reduzida.Israel ainda não reabriu a passagem para o Egito, o que impede a evacuação de feridos para tratamento médico.
Benjamin Netanyahu afirmou que a guerra só acabará quando o Hamas entregar as armas e o controle de Gaza, exigência rejeitada pelo grupo.
Mesmo enfraquecido, o Hamas tenta restabelecer a ordem interna e eliminar rivais.Enquanto isso, equipes locais iniciam a remoção de escombros e reparos básicos para permitir a retomada da entrega de ajuda.
O cessar-fogo pôs fim a dois anos de guerra devastadora, iniciada pelo ataque de 7 de outubro de 2023, quando o Hamas matou cerca de 1.200 pessoas e sequestrou 251 reféns.Desde então, Israel matou ao menos 67 mil pessoas em Gaza, segundo autoridades locais, e milhares seguem desaparecidas sob os escombros.
O Serviço de Defesa Civil de Gaza informou que 250 corpos foram recuperados desde o início da trégua.
(md – Reuters, EFE, AFP)
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