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Impasse com Israel trava acordo de paz, diz ex-embaixador do Brasil nos EUA

Para Rubens Barbosa, as ações do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu são pautadas pelas necessidades de sua coalizão partidária de caráter ultraconservador e de extrema-direita

Da redação
DA REDAÇÃO

22/06/2026 • 17:27 • Atualizado em 22/06/2026 • 18:07

O ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, afirmou que a posição do governo de Israel constitui o principal entrave para o avanço do acordo de paz no Oriente Médio. A declaração ocorreu nesta segunda-feira (22), durante entrevista concedida à BandNews TV, na qual o diplomata analisou os desdobramentos do memorando de entendimento assinado entre os Estados Unidos e o Irã.

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Barbosa ressaltou que as negociações bilaterais não contam com a adesão do governo israelense, o que compromete a estabilidade da região e ameaça a eficácia dos termos propostos. De acordo com o ex-embaixador, as restrições impostas pela política interna de Israel impedem a consolidação de um tratado definitivo.

Interesses estratégicos na região

O ex-embaixador explica que o pacto atual é de caráter transitório. Na avaliação de Barbosa, a grande dificuldade decorre do fato de que o arranjo foi costurado diretamente entre Washington e Teerã. "Essa que é a chave da questão. E o Israel não quer se submeter a essa negociação", analisa o diplomata.

Conforme aponta o especialista, o conflito envolve as estratégias de segurança nacional e as prioridades geopolíticas dos países ocidentais na região. As tratativas incluem ainda a dinâmica de grupos como o Hezbollah e o Hamas, o que eleva a complexidade do cenário de segurança regional.

Eleições em Israel e o cenário militar

Para Rubens Barbosa, as ações do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu são pautadas pelas necessidades de sua coalizão partidária de caráter ultraconservador e de extrema-direita. Essa conjuntura interna impossibilitaria concessões territoriais ou a interrupção das investidas militares.

O embaixador projeta que o processo de negociação deve se estender nos próximos meses sem resoluções de curto prazo, apontando o risco de o acordo ser rompido. "Nós vamos talvez ter nos próximos meses uma retomada das ações militares", conclui Barbosa, alertando para os impactos econômicos globais causados pelo encarecimento de combustíveis e fertilizantes devido à instabilidade na região.