
Instituto Diálogos
Divulgação/Instituto Diálogos
O agronegócio brasileiro e os obstáculos que ameaçam seu desempenho no mercado internacional foram o centro das discussões no primeiro encontro promovido pelo Instituto Diálogos, realizado nesta terça-feira (9) em São Paulo. O evento reuniu lideranças políticas, econômicas e diplomáticas para debater os efeitos da reconfiguração geopolítica global sobre a economia brasileira.
O especialista em agronegócio global, Marcos Jank, sintetizou o diagnóstico predominante no encontro. "As regras do jogo que permitiram a gente crescer muito na exportação, elas já não valem mais", afirmou.
Para ele, o Brasil tem sido surpreendido por uma série de barreiras comerciais, como as tarifas impostas pelo governo Trump, as cotas estabelecidas pela China para a carne bovina e a discussão em curso com a União Europeia sobre o uso de medicamentos veterinários — que pode resultar no bloqueio das exportações de carne brasileira para o bloco.
"A gente tem tido diversas questões de política comercial que estão atrapalhando talvez o nosso futuro", alertou.
O debate também abordou a ascensão de novos polos de influência no cenário internacional e o enfraquecimento de organismos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Nesse contexto, o Brasil ocupa uma posição singular: é parceiro comercial tanto dos Estados Unidos quanto da China e da União Europeia, o que ao mesmo tempo amplia sua margem de manobra diplomática e o expõe a pressões cruzadas.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura e fundadora do Instituto Diálogos, defendeu o diálogo como principal instrumento para enfrentar as barreiras comerciais.
Para ela, a mudança na forma como o comércio internacional é conduzido não é passageira. "É uma coisa que não sairá tão cedo da nossa pauta. Por quê? Porque houve uma mudança estratégica no mundo de como se fazer comércio", afirmou.
Instituto criado para propor soluções
O Instituto Diálogos foi criado com o objetivo de reunir especialistas de diferentes campos para discutir temas ligados ao desenvolvimento do país e elaborar propostas de longo prazo.
"Esse instituto foi criado para que a gente traga as melhores cabeças de um lado e de outro para ouvir todos, por isso ele se chama Diálogos", explicou Tereza Cristina.
Este foi o primeiro encontro da iniciativa. A ideia é que os eventos se tornem um espaço permanente de reflexão e formulação de estratégias para o crescimento e o planejamento estrutural do Brasil diante de um cenário internacional em transformação.
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