
Vorcaro preso
Divulgação/PF
Investigadores da Polícia Federal avisaram a defesa de Daniel Vorcaro que "não vão esperar indefinidamente" pelos anexos da delação, a base do acordo que será proposto por Vorcaro. A Polícia Federal (PF) espera para meados de abril a entrega do material.
Os agentes lembraram que "o tempo trabalha contra o banqueiro", porque a investigação não parou para esperar as informações prometidas. A partir da entrega do material da delação, estimam mais 20 dias para a realização dos depoimentos à PF e Procuradoria Geral da República (PGR).
Na sequência, o acordo, se "provas forem apresentadas, junto com um cronograma de devolução de dinheiro, além de nomes, pagamentos, o que cada um fazia na estrutura criminosa", será apresentado ao Mendonça para homologação.
Delação ameaça políticos
Os advogados do banqueiro Daniel Vorcaro avançam nas negociações para um possível acordo de delação premiada com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF). O foco das revelações, que têm gerado alta tensão nos bastidores do poder, recai sobre conexões políticas e o funcionamento interno do Banco de Brasília (BRB). A expectativa é que lideranças partidárias e integrantes da cúpula da instituição financeira estejam entre os primeiros alvos das informações compartilhadas por Vorcaro.
O cerco ao Banco de Brasília se intensifica devido ao prazo dado pelo Banco Central: a instituição tem até esta terça-feira para apresentar uma solução que cubra as perdas financeiras resultantes da tentativa frustrada de compra do Banco Master. A movimentação quase diária de advogados e do próprio banqueiro na sede da Polícia Federal indica que o compartilhamento de dados sensíveis sobre essas operações está em estágio avançado.
Expurgos na CVM e atuação de Flávio Dino
O escândalo da fraude bilionária provocou uma reestruturação imediata na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O presidente interino da autarquia, João Carlos Accioly, demitiu o superintendente-geral, Alexandre Pinheiro dos Santos, e o supervisor de investidores institucionais, Marco Antônio Velloso de Sousa. O objetivo da medida é realizar um "pente-fino" na estrutura de fiscalização para impedir que irregularidades semelhantes às identificadas no caso Master voltem a ocorrer.
Paralelamente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, convocou uma audiência para discutir a atuação da CVM. A decisão de Dino baseia-se em declarações da própria entidade, que admitiu ter identificado movimentações atípicas envolvendo o Banco Master, mas alegou limitações orçamentárias e de pessoal para agir de forma mais incisiva. A audiência ocorre no âmbito de uma ação apresentada pelo partido Novo, que questiona as taxas cobradas pela autarquia.
"Emendas PIX" e a Fundação Oásis
Outra frente de investigação conduzida pelo ministro Flávio Dino aponta para a falta de transparência no uso de "emendas PIX". O magistrado identificou repasses de cerca de R$ 3,5 milhões para a Fundação Oásis, braço da Igreja Batista da Lagoinha. A entidade entrou no radar das autoridades devido à ligação entre o ex-pastor Fabiano Zettel e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Dino determinou que o senador Carlos Viana preste esclarecimentos detalhados sobre o envio desses recursos. Embora o parlamentar negue qualquer irregularidade, o ministro apontou lacunas nas justificativas apresentadas até o momento e ordenou a coleta de novos documentos para instruir o processo. O caso reforça o cruzamento de interesses entre o setor financeiro, lideranças religiosas e o repasse de verbas parlamentares sob investigação.
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