
Ataque de Israel no Líbano
REUTERS/Stringer
O Irã acusou os Estados Unidos de terem responsabilidade direta pelos ataques realizados por Israel contra o Líbano nesta sexta-feira (19), e afirmou que Washington responderá pelas consequências da escalada militar, em meio a esforços para preservar um cessar-fogo regional e retomar as negociações nucleares com Teerã.
Em comunicado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que as ações israelenses configuram operações agressivas e terroristas. Segundo ele, os bombardeios causaram dezenas de mortos e feridos, além de danos a residências e à infraestrutura libanesa.
As operações do regime ocupante são agressivas e terroristas e ameaçam a paz e a segurança da região
Memorando e acusações a Washington
Baghaei declarou que a continuidade das operações do que chamou de regime ocupante e genocida sionista representa uma ameaça à paz e à segurança de toda a região. Ele citou o artigo 1º de um memorando de entendimento firmado nesta semana, que, segundo Teerã, integra o acordo mais amplo para encerrar a guerra em todas as frentes.
De acordo com o porta-voz, esse dispositivo estabelece de forma explícita a interrupção das hostilidades no território libanês como parte do arranjo negociado. Ao acusar os Estados Unidos de responsabilidade direta pela situação, Baghaei vinculou a atuação de Washington ao cumprimento das obrigações previstas no documento.
O representante também afirmou que a República Islâmica adotará todas as medidas necessárias para proteger seus interesses, sua segurança e seus aliados, sem detalhar que tipo de reação Teerã considera. Ele disse ainda que a continuação dos ataques pode comprometer os esforços diplomáticos em curso.
EUA buscam evitar nova escalada
A emissora norte-americana CNN informou que os Estados Unidos comunicaram ao Irã que Israel não pretende ampliar os ataques realizados nesta sexta-feira contra o Líbano. Segundo uma fonte ouvida pela rede, Washington transmitiu a Teerã que o governo de Benjamin Netanyahu concordou em não lançar novas retaliações caso o grupo libanês Hezbollah interrompa suas ações.
Mais cedo, o parlamentar do Hezbollah Hassan Fadlallah afirmou à agência de notícias Reuters que o Irã informou ao movimento que as negociações com os Estados Unidos dependem da implementação de um cessar-fogo abrangente. Na visão do deputado, qualquer avanço no diálogo exige o fim das operações militares em todos os frontes.
O Hezbollah é aliado de Teerã e atua a partir do sul do Líbano em confrontos com Israel, em um cenário que amplia o risco de um conflito regional. Enquanto isso, Washington tenta preservar o memorando de cessar-fogo regional e manter abertas as negociações nucleares com o Irã, em meio às trocas de acusações entre os dois países.
Com informações do Estadão Conteúdo.
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