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Irã ameaça cortar energia no Oriente Médio; EUA intensificam ataques

Bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz intensifica guerra, pressiona Donald Trump e eleva preços do petróleo

Da redação
DA REDAÇÃO

15/07/2026 • 10:28 • Atualizado em 15/07/2026 • 10:28

Imagem de satélite mostra os danos na torre de controle do porto de Chabahar, no Irã

Imagem de satélite mostra os danos na torre de controle do porto de Chabahar, no Irã

Reuters

A Guarda Revolucionária paramilitar do Irã ameaçou nesta quarta-feira (15) interromper todas as exportações de energia do Oriente Médio em resposta ao bloqueio naval reimposto pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, rota por onde circula parte significativa do petróleo e gás do planeta.

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"A exportação de petróleo e gás da região será para todos ou para ninguém", afirmou o comando da força, sem detalhar quando a suspensão poderia entrar em vigor.

Na mesma data, os Estados Unidos voltaram a impor um bloqueio naval ao Irã e intensificaram sua campanha de ataques aéreos, em retaliação a ofensivas iranianas contra navios no estreito. Bombardeios atingiram um quartel do Exército, mataram ao menos sete soldados e feriram mais de 260 pessoas em todo o país, segundo autoridades de Teerã.

Após dias de ataques de ida e volta entre EUA e Irã e novas ameaças à hidrovia estratégica, o acordo provisório que buscava encerrar o conflito ruiu, reacendendo o temor de que a região volte a uma guerra de grande escala.

O bloqueio já havia sido imposto em abril e suspenso no mês passado, quando Washington e Teerã firmaram um pacto de 60 dias para negociar temas como o programa nuclear iraniano. A guerra começou em 28 de fevereiro, quando o Irã fechou na prática o estreito, o que disparou os preços globais de petróleo, fertilizantes e outros produtos.

Segundo analistas, a escalada de preços representa um desafio político adicional para o presidente americano, Donald Trump, e para o Partido Republicano, que busca manter o controle do Congresso nas eleições de novembro, enquanto os EUA ainda lutam para reabrir totalmente a passagem marítima.

Escalada militar na região

De acordo com o Comando Central das forças armadas dos EUA, o país lançou uma onda de ataques que atingiu dezenas de alvos ao longo de sete horas durante a madrugada e retomou os bombardeios ao Irã durante o dia, em uma medida incomum que indica aumento no ritmo da operação.

A televisão estatal iraniana informou que um dos bombardeios atingiu um quartel da 388ª Brigada de Infantaria Mecanizada na província de Sistan e Baluchistão. Pelo menos sete militares morreram, mais de 30 pessoas foram mortas nos últimos dias e mais de 260 ficaram feridas apenas nos ataques noturnos, segundo o governo.

O Exército iraniano declarou que dará "resposta decisiva a esta ação agressiva do inimigo americano", segundo a TV estatal. Alertas de mísseis se tornaram diários em países vizinhos como Bahrein, Kuwait e Jordânia, que relataram interceptações de projéteis lançados pelo Irã. O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central da Marinha dos EUA, afirmou que Teerã lançou dezenas de mísseis e drones contra nações árabes do Golfo.

Na noite de terça-feira (14), Trump disse ao canal ‘Fox News’ que novos ataques dos EUA ao Irã ocorreriam nos próximos dois dias e que pontes e usinas de energia podem virar alvo na próxima semana, caso as negociações não avancem. "É melhor vocês fecharem um acordo, ou não restará nada para vocês", afirmou. Em carta ao Conselho de Segurança da ONU, o embaixador iraniano Amir Saeid Iravani criticou as ações americanas e escreveu que "os EUA são os agressores, não a vítima".

Estreito de Ormuz e disputa pelo comércio de energia

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás, permanece no centro da disputa. Durante o acordo provisório, navios voltaram a cruzar a área por uma rota próxima a Omã, supervisionada pelos militares americanos, mas o Irã passou a atacar essas embarcações. Washington ameaça reabrir o estreito à força, embora especialistas digam que isso exigiria uma frota maior e possivelmente tropas terrestres, razão pela qual o bloqueio naval é usado como instrumento adicional de pressão.

O barril de petróleo Brent, referência internacional, foi negociado acima de US$ 85 na quarta-feira, mais de 15% acima do nível anterior ao início da guerra, mas ainda abaixo dos quase US$ 120 registrados no auge do conflito.

Quando anunciou o retorno do bloqueio, na segunda-feira (13), Trump também declarou que pretendia impor uma taxa de 20% sobre navios que passassem pelo estreito, mas recuou após pedidos de aliados no Golfo Pérsico. "Eles disseram que adorariam fazer isso de uma forma diferente. Adorariam investir nos Estados Unidos com bilhões e bilhões de dólares", afirmou no Salão Oval, sem esclarecer se os investimentos representam novos compromissos.

O plano de cobrar taxas significaria uma mudança na política americana de longa data, que promete manter o estreito aberto a todos, sem pedágios. Pelo acordo provisório, o Irã concordou em garantir passagem gratuita por 60 dias, mas o documento não definiu o que ocorrerá depois. Teerã sustenta que tem o direito de gerenciar o tráfego e potencialmente cobrar tarifas, enquanto os EUA contestam essa interpretação.

Com informações do Estadão Conteúdo.