
Ali Khamenei
/WANA (West Asia News Agency via Reuters
O Irã se preparava nesta sexta-feira (3) para um funeral de vários dias do aiatolá Ali Khamenei, morto na guerra, com o regime conclamando a população a se mobilizar em Teerã a partir de sábado (4) em apoio à República Islâmica, em meio à tensão com Israel e às negociações com os Estados Unidos.
Faixas espalhadas pela capital convocavam a população a acompanhar as cerimônias, que devem levar milhões às ruas. O governo busca projetar força em um momento de incerteza, tentando repetir as imagens do funeral do ex-líder supremo Ruhollah Khomeini, em 1989, quando multidões tomaram as principais vias de Teerã.
A mobilização ocorre enquanto Teerã tenta usar sua influência sobre o estratégico Estreito de Ormuz nas negociações com Washington por um fim permanente da guerra. Ao mesmo tempo, persiste o temor de um novo ataque de Israel, após o bombardeio que matou Khamenei e parte de sua família.
General da Guarda Revolucionária reaparece
Nesse contexto, um general que comanda a Guarda Revolucionária, força paramilitar de elite do país, apareceu publicamente pela primeira vez em meses durante as cerimônias desta sexta-feira. Outros altos funcionários do governo e dignitários estrangeiros devem participar dos ritos fúnebres, em mais uma demonstração de alinhamento ao núcleo do poder.
Para simpatizantes do regime, o funeral também serve para reafirmar a linha política da República Islâmica. "Enquanto essas pessoas, que são escolhidas (por Deus), estiverem em campo, com certeza continuaremos a mesma política de 'não à humilhação' que foi fundada pela República Islâmica", disse o voluntário Mohammad Hossein Rezaei, que se preparava para as cerimônias em Teerã.
Ele afirmou ainda que o país seguirá buscando autonomia em relação a potências externas. "Continuaremos nossa política de buscar independência, e as decisões serão tomadas dentro do país, e o povo decidirá seu próprio destino", declarou.
Corpo de Khamenei é velado ao lado de familiares
O caixão de Khamenei, coberto pela bandeira do Irã, foi colocado no Grande Mosalla de Teerã, principal complexo religioso da capital. No mesmo local, autoridades prestam homenagem a familiares mortos no ataque aéreo israelense que, segundo o governo, ocorreu nos primeiros momentos da guerra, em 28 de fevereiro.
Entre as vítimas lembradas estão um genro, a filha mais velha de Khamenei, uma neta de 14 meses e a esposa do novo líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, filho e sucessor do antigo dirigente. Mojtaba permanece afastado da vista pública após, segundo relatos, ter sido ferido no ataque.
As longas cerimônias fúnebres devem se estender por vários dias e são vistas em Teerã como oportunidade para o regime reforçar sua base interna e consolidar a transição de poder, numa conjuntura marcada pela guerra, por sanções internacionais e pela disputa com os Estados Unidos e Israel.
Com informações do Estadão Conteúdo.
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