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Israel toma barco que ia para Gaza e distribui sanduíches entre os ‘sequestrados’

Moises Rabinovici
MOISES RABINOVICI

09/06/2025 • 09:16 • Atualizado em 09/06/2025 • 09:16

Moises Rabinovici
Greta Thunberg

Greta Thunberg

Israel Foreign Ministry via X/Handout via REUTERS

Soldados israelenses abordaram o barco Madleen, da Flotilha da Liberdade, que navegava para Gaza, às 3h da madrugada desta segunda-feira, e o levaram para o porto de Ashdod, em Israel. Seus 12 tripulantes, entre eles a ativista ambiental Greta Thunberg, o brasiliense Thiago Avila e a eurodeputada síria-francesa Rima Hassan, deverão voltar para a Europa.

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Não houve violência, nem feridos. O comando israelense estava armado de sanduíches, distribuídos entre os “sequestrados”, como eles próprios se descreveram em postagens disparadas quando o barco Madleen foi cercado por botes da marinha israelense.

A mensagem em vídeo de Thunberg, pedindo socorro, foi feita de dia, mas a interceptação ocorreu às 3h da madrugada local, 19h do domingo, no horário de Brasília. A essa hora, Thunberg aceitava, sorridente, o sanduíche que lhe oferecia um de seus “sequestradores”, como mostra uma fotografia na plataforma X. Estavam a 100 quilômetros de Port Said, no Egito, e a 200 quilômetros do litoral israelense.

O primeiro sinal da presença da marinha de Israel se deu via GPS. O brasileiro Thiago Avila, militante da pró-Hamas Flotilha da Liberdade, observou, em vídeo, que navegavam por águas egípcias, mas o GPS os informava que se encontravam no aeroporto da Jordânia. É comum embaralhar o sinal de GPS para confundir inimigos, numa guerra. Nos primeiros dias da retaliação pelo ataque do Hamas, o israelense que chamasse um táxi Uber, em Tel-Aviv, aparecia como se estivesse em Beirute.

Depois surgiu um ou mais drones. E uma voz feminina anunciou ao Madleen, por alto-falante: “Essa área marítima na costa de Gaza está fechada para o tráfego” (o bloqueio foi imposto em 2007, por Israel e Egito, para impedir contrabando de armas, depois que o Hamas expulsou com violência a Autoridade Palestina (criada por Yasser Arafat, em Ramallah, na Cisjordânia), ao vencer eleições — a primeira e única.)

Um dos tripulantes do Madleen postou: “Sou jornalista, estou há uma semana cobrindo o comboio (sic) da Flotilha da Liberdade, e minha prisão pelo exército israelense é iminente. Agentes humanitários e jornalistas não podem ser presos. Apelo a todos os meus colegas a se mobilizarem.” Com bandeira britânica e seis franceses a bordo, o Ministério das Relações Exteriores se apressou a comunicar que todos os ativistas estavam bem, a caminho de Israel, de onde, mais tarde, poderiam partir para a Europa. A França e Inglaterra advertiram Israel a garantir a segurança do barco.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, pediu ao comando que invadiu o “iate selfie”, como ele o descreveu, que exibisse a bordo um vídeo do massacre do Hamas em Israel, em 7 de outubro de 2023, que matou 1.200 pessoas e sequestrou 251 outras, dando início à guerra que já completou 20 meses e com cerca de 53 mil palestinos mortos, segundo o Ministério da Saúde do Hamas, que não distingue entre civis e combatentes (20 mil deles mortos, segundo Israel).

“É apropriado que a antissemita Greta [Thunberg] e seus amigos propagandistas do Hamas vejam exatamente o que é esse grupo — aquele que eles vieram apoiar e em nome do qual agiram — e os horrores que ele cometeu contra mulheres, idosos e crianças”, explicou o ministro Katz em um comunicado. O Ministério das Relações Exteriores anunciou: “O show acabou”.

A responsável da ONU pelos territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, declarou à rede Al Jazeera que “a tomada do barco Madleen, fora das águas territoriais de Israel, constitui um flagrante desrespeito da lei internacional”. E acrescentou: “A tripulação desarmada do barco foi sequestrada”. No barco foi encontrada uma “simbólica” ajuda humanitária à Gaza, que será entregue.

Além de Greta Thunberg e do brasileiro Thiago Ávila, estavam a bordo do Madleen (homenagem à única pescadora profissional de Gaza) a eurodeputada sírio-francesa Rima Hassan, barrada à entrada de Israel em fevereiro, o ator irlandês da série Game of Thrones, Liam Cunningham, um militante dos Direitos Humanos alemão, Yasemin Acar, seis franceses e jornalistas. O barco zarpou de Catania, na Sicília (Itália), no domingo passado, monitorado pela Freedom Flotilla Coalition (FFC).

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