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Itamaraty diz reconhecer esforços por fim do conflito em Gaza após plano de Trump

No texto, o Itamaraty reafirmou a convicção do Brasil de que o único caminho para uma paz justa, estável e duradoura no Oriente Médio para pela implementação da solução de dois Estados

Da redação com deutsche welle
DA REDAÇÃO COM DEUTSCHE WELLE

04/10/2025 • 09:03 • Atualizado em 04/10/2025 • 09:03

Donald Trump e Benjamin Netanyahu na Casa Branca

Donald Trump e Benjamin Netanyahu na Casa Branca

REUTERS/Kevin Lamarque

O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, afirmou, neste sábado (4), reconhecer os esforços dos Estados Unidos pelo fim do conflito na Faixa de Gaza após o Hamas anunciar que aceita negociar com Donald Trump e Israel.

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“Ao reconhecer os esforços dos países mediadores para colocar fim ao conflito, o Brasil guarda expectativa de que, se aceito e implementado pelas partes, o plano resulte, entre outras medidas, na cessação imediata e permanente dos ataques israelenses à Faixa de Gaza, na libertação dos reféns remanescentes, na entrada desimpedida de ajuda humanitária e no início urgente da reconstrução do território, sob apropriação e supervisão palestina”, escreveu o Itamaraty em comunicado.

“Defende, ademais, a retirada completa das forças israelenses de Gaza e a restauração da unidade político-geográfica da Palestina”, acrescentou.

No texto, o Itamaraty reafirmou a convicção do Brasil de que o único caminho para uma paz justa, estável e duradoura no Oriente Médio para pela implementação da solução de dois Estados, com um Estado da Palestina independente e viável, “vivendo lado a lado com Israel, em paz e segurança, dentro das fronteiras de 1967, incluindo a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como sua capital”.

“Considera, por fim, que qualquer Força Internacional de Estabilização a ser desdobrada na região deverá contar com um mandato cuidadosamente desenhado e devidamente aprovado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas”, finalizou.

Plano para encerrar conflito em Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na segunda-feira (29) que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, concordou com seu plano de 20 pontos para encerrar o conflito na Faixa de Gaza. No entanto, não há certeza se o grupo palestino Hamas vai aceitar os termos.

A declaração foi feita por Trump em um pronunciamento à imprensa na Casa Branca ao lado de Netanyahu, após uma reunião entre os dois líderes.

O plano de 20 pontos estabelece que, com o acordo de ambas as partes, "a guerra terminará imediatamente", com a retirada israelense programada para coincidir com a libertação dos últimos reféns mantidos pelo Hamas. Durante esse período inicial, haveria um cessar-fogo. Os pontos-chave incluem o envio de uma "força internacional temporária de estabilização" e a criação de uma autoridade de transição liderada por Trump.

O acordo exigiria que os terroristas do Hamas se desarmassem totalmente e fossem excluídos de futuros cargos no governo. No entanto, aqueles que concordassem com a "coexistência pacífica" receberiam anistia. Após a retirada israelense, as fronteiras seriam abertas para ajuda e investimento.

Em uma mudança crucial em relação aos objetivos aparentes anteriores de Trump, os palestinos não serão forçados a sair e, em vez disso, o documento afirma que "incentivaremos as pessoas a ficar e lhes ofereceremos a oportunidade de construir uma Gaza melhor".

Nesta segunda-feira, Netanyahu destacou que o plano americano coincide com os cinco princípios que o seu governo estabeleceu para pôr fim à ofensiva no enclave palestino.

Estes princípios, de acordo com ele, são a libertação dos reféns, o desarmamento do Hamas, a desmilitarização de Gaza, o controle israelense sobre a segurança do enclave e um governo para a Faixa do qual o Hamas não faça parte. O primeiro-ministro afirmou também que a Autoridade Palestina, que governa partes da Cisjordânia, não pode ter papel no futuro de Gaza sem antes ser submetida a uma "reforma radical".

Por sua vez, Trump detalhou que pretende reservar para si o papel de chefe de um "Conselho da Paz", que incluirá também o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Esse órgão será responsável por supervisionar o futuro governo de Gaza, formado por "tecnocratas palestinos".

Hamas concorda com parte do plano

O Hamas anunciou nesta sexta-feira (03) que aceita libertar todos os reféns israelenses sob os termos expressos no plano de paz do presidente dos EUA, Donald Trump. Além da libertação dos reféns, aceita também abrir mão do poder na Faixa de Gaza. No entanto, afirmou que alguns outros elementos exigem novas negociações.

O grupo afirmou estar disposto a "libertar todos os prisioneiros israelenses – tanto os vivos, quanto os restos mortais – de acordo com a fórmula de troca delineada na proposta do presidente Trump".

"O Hamas afirma sua prontidão para entrar imediatamente, por meio de mediadores, em negociações para discutir os detalhes", ressaltou.

A organização também "reitera sua aprovação em entregar a administração da Faixa de Gaza a um órgão palestino de independentes (tecnocratas), com base no consenso nacional e com apoio árabe e islâmico".

Em relação às outras questões levantadas na proposta de Trump sobre o futuro de Gaza e os direitos fundamentais do povo palestino, "estas permanecem vinculadas a uma posição nacional coletiva, enraizada em leis e resoluções internacionais, a serem abordadas dentro de uma estrutura palestina unificada – na qual o Hamas participará e contribuirá com total responsabilidade", escreveu o grupo.