Jornal da Band

Apenas 1% da água em São Paulo é de reúso em meio à crise nos reservatórios

Baixo índice de reaproveitamento dificulta combate ao desperdício; Cantareira opera em nível crítico de 21,2% enquanto falta regulamentação para uso residencial

Da redação
DA REDAÇÃO

07/02/2026 • 19:38 • Atualizado em 07/02/2026 • 19:38

São Paulo utiliza apenas 1% de toda a sua água disponível por meio do sistema de reúso, índice considerado insuficiente para mitigar o desperdício em momentos de crise hídrica. O reaproveitamento consiste no uso da água que já foi utilizada e passa por um processo de filtragem para ser empregada novamente em funções específicas. Atualmente, na região metropolitana, apenas 1% de todo o esgoto recebe o tratamento necessário para essa finalidade.

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A baixa adesão ao método ocorre em um cenário preocupante para os principais mananciais que abastecem a capital paulista. O Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de 9 milhões de pessoas, opera com apenas 21,2% de sua capacidade. O Sistema Alto Tietê apresenta situação semelhante, operando abaixo dos 30%, com 28,5% de seu volume total.

Exemplos de economia e obstáculos legais

Apesar do baixo índice geral, setores específicos da capital já adotam o sistema por obrigação legal ou estratégia econômica. Em lava-rápidos, a lei municipal exige a instalação de sistemas de tratamento que permitem a reutilização de cerca de 10 mil litros de água diariamente. Para empreendedores como Denis Freire de Almeida, a medida gera uma economia mensal de 3 mil reais.

Outro exemplo de aplicação ocorre no Complexo do Anhembi, onde a água de reúso é destinada para:

  • Irrigação de jardins;
  • Descargas em banheiros;
  • Limpeza diária de áreas comuns.

O entrave nas residências

Enquanto em alguns países o reúso é estratégico, contando inclusive com sistemas de torneiras duplas para separar a água potável da água de limpeza, o modelo encontra barreiras no Brasil. Pedro Amaral explica que a água produzida pela Sabesp tem finalidades específicas voltadas para a indústria e o comércio.

Segundo a análise de Pedro Amaral, embora o fornecimento para residências seja tecnicamente viável para tarefas como lavagem de roupa e jardinagem, não existe atualmente previsão legal que autorize o fornecimento de água de reúso para fins domésticos, o que inibe o uso direto humano.