Jornal da Band

Áudios revelam que brasileira morta na Espanha tinha conflitos com hóspedes

Gisele Meira relatou medo e importunação de colegas de quarto antes de ser achada morta em Valência; defesa aciona o consulado para abrir inquérito

João Marcelo
JOÃO MARCELO

14/04/2026 • 19:41 • Atualizado em 14/04/2026 • 19:41

A família da professora brasileira Gisele Meira, encontrada morta no último dia 30 de março na cidade de Oliva, em Valência, contesta a tese inicial de que ela teria tirado a própria vida. Gisele havia se mudado para a Espanha no fim do ano passado com o namorado, mas enfrentava uma convivência tensa no apartamento onde residiam. Diante das circunstâncias e de relatos prévios da vítima, o consulado brasileiro deve ser acionado para formalizar um pedido de investigação oficial junto às autoridades espanholas.

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De acordo com informações, a polícia local não foi acionada no dia em que o corpo foi localizado, o que resultou na ausência de um inquérito imediato. O namorado de Gisele afirma tê-la encontrado pendurada por uma corda. No entanto, para a advogada da família, Carina Goiatá, a versão é inconsistente. "O que a família quer é saber exatamente o que aconteceu. A Gisele não tinha motivo nenhum para tirar a própria vida", afirma a defesa.

Relatos de medo e convivência tensa

Antes de sua morte, Gisele Meira enviou áudios à mãe, que mora em Curitiba, detalhando o clima de insegurança no imóvel que dividia com o namorado e dois imigrantes. Segundo os relatos, a brasileira descobriu que compartilharia o espaço com terceiros apenas após sair do Brasil. Em uma das mensagens, Gisele expressou pânico pela conduta dos outros hóspedes, mencionando que um deles costumava andar pela casa apenas de toalha.

"Eu nem saio do quarto quando eles estão porque os dois ficam de olho. Nojento, mãe. Aquela coisa nojenta de homem, sabe? Única mulher na casa", disse a professora em um dos áudios enviados à família. Gisele chegou a afirmar explicitamente que sentia medo da situação. Poucos dias antes do ocorrido, ela planejava deixar o imóvel para alugar um espaço particular ou mudar-se de cidade para fugir do ambiente hostil.

A formalização da denúncia busca agora garantir que a perícia e os procedimentos de investigação de homicídio sejam realizados, considerando o histórico de importunação e as queixas apresentadas pela vítima em seus últimos contatos com familiares no Brasil.