Jornal da Band

Band é, há mais de 40 anos, palco dos duelos que movem a democracia

Tradição aberta em 1982, ainda sob a ditadura, fez da emissora referência nos grandes embates eleitorais da TV

Sérgio Gabriel
SÉRGIO GABRIEL

09/08/2026 • 06:00 • Atualizado em 10/08/2026 • 12:24

Quando Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) se encontrarem frente a frente neste domingo (9), às 20h, a Band escreverá mais um capítulo da história da democracia brasileira. Quatro anos depois de duelarem pelo governo de São Paulo, os dois voltam a se enfrentar — e, seguindo a tradição, a emissora realiza os primeiros debates da campanha de 2026 em todo o país.

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A história começou em 1982, na eleição para o governo de São Paulo, ainda em plena ditadura militar e no início do processo de redemocratização.

Conduzido por Joelmir Beting, o debate reuniu Franco Montoro, Reynaldo de Barros, Luiz Inácio Lula da Silva, Rogê Ferreira e Jânio Quadros. O confronto entre Jânio e Montoro inaugurou os duelos antológicos que entrariam para a história da televisão brasileira.

O pioneirismo da emissora ganhou nova dimensão em 1989. No dia 17 de julho daquele ano, a Band realizou o primeiro debate presidencial do País.

Uma nação que ainda engatinhava na democracia assistia ao vivo a políticos de todas as correntes ideológicas defenderem com liberdade suas propostas, protagonizando embates que se tornaram icônicos.

Os debates também mostraram capacidade de decidir eleições. Foi o que aconteceu em 1998, quando as pesquisas apontavam Paulo Maluf à frente de Mário Covas na disputa pelo governo de São Paulo.

No confronto na tela da Band, Covas virou a eleição e acabou eleito governador. A história mostra ainda que, em um debate, qualquer descuido pode repercutir e viralizar.

Ao longo das décadas, o formato mudou. Da quase ausência de regras dos primeiros encontros, passando pelo engessamento dos tempos de perguntas e respostas, chegou-se às diretrizes atuais, que permitem aos candidatos se movimentar pelo estúdio, interagir entre si e administrar o próprio tempo de fala.

O que não muda é a importância de colocar os candidatos frente a frente, sem a maquiagem do horário eleitoral ou das redes sociais. Um momento que se repetirá neste domingo, quando a trilha sonora de abertura soar como o apito inicial de uma partida em que está em jogo o futuro do País.