
Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas reeditam debate do segundo turno há 4 anos em SP
Renato Pizzutto/Band
A Band abre neste domingo (9), às 20h, a temporada de debates das eleições de 2026 com confrontos simultâneos entre candidatos aos governos de 12 estados e do Distrito Federal. A menos de dois meses das eleições, os encontros podem representar uma oportunidade para candidatos que tentam romper a polarização das disputas e ganhar espaço na corrida eleitoral.
Para Murilo Hidalgo, presidente do Instituto Paraná Pesquisas, o impacto dos debates vai muito além das cerca de duas horas de transmissão. A principal força está na repercussão posterior, especialmente nos cortes que circulam pelas redes sociais e alcançam eleitores que não acompanharam o programa ao vivo.
“A audiência é alta principalmente no meio político. O grande eleitor ainda está longe das eleições, mas a repercussão é onde começa o pleito”, afirma Hidalgo. Para ele, uma boa participação pode aumentar rapidamente a exposição de um candidato, enquanto um erro tem potencial para comprometer uma campanha.
“A repercussão é 30 vezes maior que a força do próprio evento. Uma escorregada faz o candidato cair; um acerto o torna mais conhecido”, avalia.
A estratégia, porém, muda de acordo com o cenário eleitoral de cada estado. Em São Paulo, onde segundo números do Paraná Pesquisas o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem 48,5% das intenções de voto contra 35,1% de Fernando Haddad (PT). Na avaliação de Hidalgo, a vantagem faz com que o principal objetivo do líder seja evitar erros.
“Quem lidera com folga tem como missão não ser fujão. Ele vai para o zero a zero, e o zero a zero é a vitória dele”, diz.
O encontro reedita o confronto entre Tarcísio e Haddad na eleição de 2022, quando os dois disputaram o segundo turno pelo governo paulista. Desta vez,os papéis estão invertidos. Se há quatro anos ambos buscavam conquistar o Palácio dos Bandeirantes, agora Tarcísio chega como governador e precisa defender a própria gestão.
“Há quatro anos eram duas pedras brigando. Hoje é a pedra contra a vidraça: o governador contra o candidato. Tarcísio vinha para a crítica; agora vem para a defesa.”
No Rio de Janeiro, o cenário é diferente. Eduardo Paes (PSD) aparece na liderança, com 48,6%, enquanto Douglas Ruas (PL) e Anthony Garotinho (Republicanos) disputam a segunda colocação. Para Hidalgo, os adversários precisam concentrar os ataques no primeiro colocado para alterar a configuração da disputa.
“No Rio, todos são pedra, ninguém é vidro. A estratégia vai ser desgastar o Paes, porque não adianta um subir e o outro cair sem mexer no líder”, afirma.
No Rio Grande do Sul, a tendência apontada pelo especialista é de maior cautela. Luciano Zucco (PL), com 34,2%, e Juliana Brizola (PDT), com 30,1%, estão em empate técnico, enquanto o vice-governador Gabriel Souza (MDB) aparece na terceira colocação.
“O primeiro e o segundo vão se preservar para não criar fato que faça o terceiro subir”, prevê Hidalgo.
Para o presidente do Paraná Pesquisas, entretanto, a disputa mais importante pode começar somente depois que as câmeras forem desligadas, já que eleitor mais jovem tende a consumir o debate principalmente por meio de vídeos curtos nas redes sociais. Hidalgo estima que, entre os eleitores de 16 a 25 anos, ao menos 70% acompanhem os confrontos dessa maneira.
“O debate é forte porque gera o corte, mas a repercussão do dia seguinte vale 80%. Não adianta ganhar o debate se seus cortes são péssimos”, afirma.
Com a campanha entrando na reta decisiva, Hidalgo acredita que os primeiros confrontos televisionados podem modificar cenários hoje considerados consolidados e impulsionar candidaturas ainda pouco conhecidas.
“A eleição começa no debate. Vamos ver, pelo Brasil, muitos estados em que vão surgir estrelas que ninguém dava nada — vários Pablo Marçais — e gente que estava ganhando vai para baixo porque escorregou.”
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