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Debates da Band podem redesenhar disputas estaduais, diz especialista

Candidatos se enfrentam neste domingo em 12 estados e no DF; repercussão nas redes pode ser mais decisiva que transmissão ao vivo

Da redação
DA REDAÇÃO

08/08/2026 • 07:00 • Atualizado em 08/08/2026 • 07:00

Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas reeditam debate do segundo turno há 4 anos em SP

Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas reeditam debate do segundo turno há 4 anos em SP

Renato Pizzutto/Band

A Band abre neste domingo (9), às 20h, a temporada de debates das eleições de 2026 com confrontos simultâneos entre candidatos aos governos de 12 estados e do Distrito Federal. A menos de dois meses das eleições, os encontros podem representar uma oportunidade para candidatos que tentam romper a polarização das disputas e ganhar espaço na corrida eleitoral.

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Para Murilo Hidalgo, presidente do Instituto Paraná Pesquisas, o impacto dos debates vai muito além das cerca de duas horas de transmissão. A principal força está na repercussão posterior, especialmente nos cortes que circulam pelas redes sociais e alcançam eleitores que não acompanharam o programa ao vivo.

“A audiência é alta principalmente no meio político. O grande eleitor ainda está longe das eleições, mas a repercussão é onde começa o pleito”, afirma Hidalgo. Para ele, uma boa participação pode aumentar rapidamente a exposição de um candidato, enquanto um erro tem potencial para comprometer uma campanha.

“A repercussão é 30 vezes maior que a força do próprio evento. Uma escorregada faz o candidato cair; um acerto o torna mais conhecido”, avalia.

A estratégia, porém, muda de acordo com o cenário eleitoral de cada estado. Em São Paulo, onde segundo números do Paraná Pesquisas o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem 48,5% das intenções de voto contra 35,1% de Fernando Haddad (PT). Na avaliação de Hidalgo, a vantagem faz com que o principal objetivo do líder seja evitar erros.

“Quem lidera com folga tem como missão não ser fujão. Ele vai para o zero a zero, e o zero a zero é a vitória dele”, diz.

O encontro reedita o confronto entre Tarcísio e Haddad na eleição de 2022, quando os dois disputaram o segundo turno pelo governo paulista. Desta vez,os papéis estão invertidos. Se há quatro anos ambos buscavam conquistar o Palácio dos Bandeirantes, agora Tarcísio chega como governador e precisa defender a própria gestão.

“Há quatro anos eram duas pedras brigando. Hoje é a pedra contra a vidraça: o governador contra o candidato. Tarcísio vinha para a crítica; agora vem para a defesa.”

No Rio de Janeiro, o cenário é diferente. Eduardo Paes (PSD) aparece na liderança, com 48,6%, enquanto Douglas Ruas (PL) e Anthony Garotinho (Republicanos) disputam a segunda colocação. Para Hidalgo, os adversários precisam concentrar os ataques no primeiro colocado para alterar a configuração da disputa.

“No Rio, todos são pedra, ninguém é vidro. A estratégia vai ser desgastar o Paes, porque não adianta um subir e o outro cair sem mexer no líder”, afirma.

No Rio Grande do Sul, a tendência apontada pelo especialista é de maior cautela. Luciano Zucco (PL), com 34,2%, e Juliana Brizola (PDT), com 30,1%, estão em empate técnico, enquanto o vice-governador Gabriel Souza (MDB) aparece na terceira colocação.

“O primeiro e o segundo vão se preservar para não criar fato que faça o terceiro subir”, prevê Hidalgo.

Para o presidente do Paraná Pesquisas, entretanto, a disputa mais importante pode começar somente depois que as câmeras forem desligadas, já que eleitor mais jovem tende a consumir o debate principalmente por meio de vídeos curtos nas redes sociais. Hidalgo estima que, entre os eleitores de 16 a 25 anos, ao menos 70% acompanhem os confrontos dessa maneira.

“O debate é forte porque gera o corte, mas a repercussão do dia seguinte vale 80%. Não adianta ganhar o debate se seus cortes são péssimos”, afirma.

Com a campanha entrando na reta decisiva, Hidalgo acredita que os primeiros confrontos televisionados podem modificar cenários hoje considerados consolidados e impulsionar candidaturas ainda pouco conhecidas.

“A eleição começa no debate. Vamos ver, pelo Brasil, muitos estados em que vão surgir estrelas que ninguém dava nada — vários Pablo Marçais — e gente que estava ganhando vai para baixo porque escorregou.”