A Controladoria-Geral da União (CGU) entrou na fase final da investigação que envolve dois servidores do Banco Central suspeitos de integrar o esquema do Banco Master. Segundo apuração, as evidências apontam para a aplicação de punições severas, com a possibilidade real de que os envolvidos percam seus cargos públicos.
Os servidores identificados são Paulo Sérgio de Souza e Belline Santana. Eles são suspeitos de atuar como informantes do banqueiro Daniel Vorcaro, recebendo pagamentos ilícitos para fornecer dados privilegiados da autoridade monetária. As mensagens interceptadas mostram que a dupla dava conselhos estratégicos durante o processo de aquisição do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília).
Propina e benefícios indevidos
As investigações detalham o caminho do dinheiro e as formas de compensação utilizadas. Paulo Sérgio de Souza teria vendido uma fazenda avaliada em R$ 3 milhões para um fundo de investimentos diretamente ligado a Daniel Vorcaro, em uma transação sob suspeita de superfaturamento ou lavagem de dinheiro.
Além dos valores milionários, a investigação da CGU também identificou o pagamento de vantagens menores, mas que configuram corrupção. Em um dos episódios, os servidores teriam recebido uma espécie de "ajuda de custo" do banqueiro para financiar uma viagem de lazer da família para a Disney, nos Estados Unidos.
Paralelamente, A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro trabalha para definir, ainda nesta semana, as bases de um acordo de delação premiada. O movimento gera forte apreensão nos bastidores do poder em Brasília, dado o potencial das revelações. O comportamento do dono do Banco Master na sede da Polícia Federal tem chamado a atenção dos investigadores: longe de apresentar um estado depressivo, Vorcaro mantém-se comunicativo e demonstra disposição para o diálogo.
O rito processual prevê que, após a definição das bases, o banqueiro preste depoimentos à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) para detalhar o conteúdo das revelações. Para que o acordo seja validado e siga para homologação no Supremo Tribunal Federal (STF), a PF e a PGR exigem uma delação "completa", que não poupe nenhum dos envolvidos no esquema investigado.
Investigação de sigilo máximo no STF
Em outra frente de investigação, a Polícia Federal apura a venda de dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal. O inquérito recebeu o nível quatro de sigilo, o patamar mais alto da Corte. O contador Washington de Azevedo, preso recentemente no Rio de Janeiro, confessou à PF atuar como intermediário no comércio de dados fiscais dos magistrados.
Há suspeitas de que essa rede de vazamentos tenha originado informações sobre um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. A defesa do contador afirma, até o momento, não ter tido acesso aos autos do processo.
Ausência em CPMI e conexões internacionais
No Congresso Nacional, a investigação também sofreu um revés com a ausência de Martha Graeff, ex-namorada de Vorcaro, na sessão da CPMI do INSS. Convocada para prestar esclarecimentos sobre os bens do banqueiro no exterior e suas relações comerciais, Martha, que reside nos Estados Unidos, justificou a ausência alegando desconhecimento sobre os negócios do ex-parceiro.
As autoridades continuam a monitorar os ativos internacionais de Vorcaro enquanto aguardam os próximos passos da colaboração premiada, que promete atingir diversas esferas das instituições públicas e do sistema financeiro.
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