A disputa dos candidatos ao Planalto ganhou novo ritmo nesta segunda-feira (3), primeiro dia útil após o PT oficializar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, enquanto a oposição corre para fechar chapas antes do prazo. A convenção petista, realizada no domingo (2), marcou uma guinada na campanha, sintetizada por uma frase do comando do partido: "acabou o treino, é hora de jogar a Copa do Mundo".
A estratégia definida a partir de agora combina apontar as realizações do governo, mostrar as diferenças em relação aos adversários e, principalmente, falar de futuro. Lula afirmou que terá como prioridades a educação, políticas públicas para idosos, o cuidado com as terras raras e o sistema de defesa do País.
"Precisamos investir na defesa. Eu quero estar preparado para que ninguém invada este aís para levar o presidente, como eles invadiram. Eu quero estar preparado para a paz, não é para a guerra", declarou.
No discurso, o candidato reclamou da perda de poder do presidente da República frente ao Congresso Nacional. "Vai ter briga com emenda parlamentar. Não posso permitir que o presidente vá perdendo seus direitos. O direito de indicar ministro da Suprema Corte, de indicar diretor", disse, antes de emendar: "Eu não quero o Lulinha paz e amor, eu quero o Lulinha porreta".
É a sétima disputa de Lula à Presidência. Ele perdeu as três primeiras para Fernando Collor (1989) e Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998) e venceu as três últimas (2002, 2006 e 2022). O candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB), esteve presente na convenção e resgatou o mote de 2022:
"Receita que deu certo. Quatro anos atrás foi lançada aqui uma receita de sucesso. Quatro anos depois, ela continua nos hits. Lula com chuchu".
A intenção da campanha é rodar o Brasil, com viagens previstas para todos os fins de semana. São Paulo e Minas Gerais, estados onde a vantagem apontada pelas pesquisas é pequena, são as maiores preocupações no momento. Além de PT, PCdoB e PV, que integram a Federação Brasil da Esperança, também estão na base de apoio PSB, PDT, PSOL e Rede.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro (PL) tem como grande desafio fechar a candidatura à vice, com prazo que termina em dois dias. O candidato segue conversando com partidos em agendas fechadas.
Nesta segunda, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), anunciou que não será candidato ao governo de Minas Gerais, onde lidera todas as pesquisas. Tido como peça fundamental para o palanque de Flávio, o político – que perdeu o irmão recentemente – chorou ao anunciar a desistência. A negociação com o Republicanos prossegue, mas a legenda já sinalizou que deve preferir a neutralidade na corrida presidencial.
Apesar da negativa do PP, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou, na Fiesp, que ainda há espaço para negociações para compor a chapa de Flávio. Outro alvo é o Podemos, cuja presidente, a deputada Renata Abreu (SP), é o nome da vez.
Em caso de chapa puro-sangue, porém, Priscilla Costa, do PL do Ceará, tem ganhado força: evangélica, ela conta com o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Na disputa pelos votos do agronegócio, Ronaldo Caiado (PSD) alfinetou Flávio: "Eu sou o agro raiz, eu não sou sabor agro. Eu sou médico. Eu sou produtor rural. Eu sou uma pessoa que estuda e que debate. Eu fui deputado federal e senador da República debatendo os temas relevantes".
O escritor Augusto Cury foi oficializado nesta segunda-feira como candidato do Avante ao Planalto. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não tiveram agendas públicas.
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