A caminho da Lua, os tripulantes da missão Ártemis 2 revelam os desafios e as adaptações necessárias para a sobrevivência no espaço. A cápsula Órion, onde os astronautas viverão por dez dias, impõe uma rotina de extremo confinamento. Com apenas três metros de altura e cinco de diâmetro na base, a área habitável é descrita como um cubículo, menor do que um quarto pequeno, exigindo que todas as tarefas diárias sejam executadas com precisão e paciência.
A vida na nave é marcada pela ausência de privacidade e pelo improviso tecnológico. Atividades básicas, como a higiene pessoal, são limitadas ao uso de toalhas umedecidas em frente aos colegas, já que não há chuveiros. A alimentação consiste exclusivamente em produtos processados e embalados em pacotes, enquanto a rotina de exercícios físicos é restrita a um pequeno canto da embarcação para mitigar a perda de massa muscular em ambiente de microgravidade.

O fenômeno da microgravidade e a "Rise"
Um dos pontos centrais da missão é a adaptação à microgravidade, estado em que os astronautas experimentam a sensação de ausência de peso. Para monitorar esse fenômeno de forma visual e lúdica, a tripulação conta com a companhia da "Rise", uma Lua de pelúcia que utiliza um boné de beisebol decorado com a imagem da Terra. Além de servir como distração, o objeto tem uma função técnica: ao flutuar livremente pela cabine, indica o início das condições de gravidade reduzida.
Na madrugada deste sábado, o piloto da nave, Victor Glover, relatou que a visão do satélite natural está "ficando cada vez maior". Atualmente, a Órion está a cerca de 160 mil quilômetros de seu destino final.
Exploração do lado oculto e validação de sistemas
A expectativa é que a tripulação chegue à órbita lunar em dois dias. Eles farão história ao se tornarem os primeiros humanos a visualizarem presencialmente o lado oculto da Lua — a face que nunca é voltada para a Terra. Embora esta etapa da missão Ártemis não preveja o pouso no solo lunar, ela é crucial para coletar dados e testar equipamentos que viabilizarão futuras descidas.
Para o tecnologista do INPE, Petrônio Noronha de Souza, o foco principal é a segurança tecnológica. "O que se busca nessa missão é principalmente a validação do funcionamento dos sistemas todos que foram desenvolvidos", explica.
Ele ressalta que, apesar da semelhança visual com as cápsulas do programa Apollo das décadas de 1960 e 1970, a Órion utiliza equipamentos completamente novos e sistemas digitais de última geração. O sucesso desta jornada é o passo definitivo para o retorno da humanidade à superfície lunar nos próximos anos.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

