Jornal da Band

Conflito no Oriente Médio provoca cancelamento de 2 mil voos no Brasil

Redução na malha aérea nacional deve retirar 10 mil assentos por dia do mercado; querosene de aviação subiu 18% devido à instabilidade internacional

Márcio Campos
MÁRCIO CAMPOS

22/04/2026 • 21:37 • Atualizado em 22/04/2026 • 21:37

Apesar do cessar-fogo estabelecido entre Estados Unidos, Israel e Irã, a economia global continua a registrar os impactos severos do recente conflito no Oriente Médio. O setor de aviação civil é um dos mais atingidos, com um movimento de retração que já impacta diretamente o passageiro brasileiro. Das 70 mil operações programadas para o mês de maio, as companhias aéreas que atuam no Brasil cancelaram mais de 2 mil voos, uma redução de 2,9% na malha aérea nacional.

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Dados do Sistema SIROS, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), indicam que essa queda representa a oferta de 10 mil assentos a menos na aviação doméstica todos os dias. A crise não atinge o território brasileiro de forma uniforme, sendo as regiões Norte e Nordeste as mais impactadas pela redução da conectividade.

Estados mais afetados pela redução de voos:

  • Amazonas: -17,5%
  • Pernambuco: -10,5%
  • Goiás: -9,3%
  • Pará: -9,0%
  • Paraíba: -8,9%

Alta do querosene de aviação e o fator Estreito de Ormuz

O corte nas operações é uma estratégia direta das empresas para conter o avanço do custo operacional. No início deste mês, o querosene de aviação (QAV) sofreu um reajuste de 18% no mercado brasileiro. Segundo o especialista em Comércio Internacional, Ricardo Inglez de Souza, o combustível representa cerca de 35% de todos os custos de uma companhia aérea, o que torna qualquer variação no preço do petróleo um fator determinante para a viabilidade dos voos.

A instabilidade internacional é agravada pela situação logística no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz — rota marítima por onde transita 20% do petróleo mundial — fez com que o preço do combustível dobrasse no mercado internacional nas últimas semanas.

Essa crise de abastecimento e preços também reverbera na Europa. A Lufthansa, maior companhia aérea da Alemanha, anunciou o cancelamento de mais de 20 mil voos entre maio e outubro como medida de economia de combustível frente aos novos patamares de preços.

Perspectivas para o mercado brasileiro

Embora o acordo de cessar-fogo possa, eventualmente, aliviar o preço do barril de petróleo no mercado futuro, a recuperação do setor aéreo não deve ser imediata. A análise de Ricardo Inglez de Souza aponta que a redução dos custos não será sentida pelas companhias no curto prazo, o que sugere que a malha aérea pode continuar operando de forma reduzida nos próximos meses até que haja uma estabilização real dos preços dos insumos.

Enquanto isso, passageiros com viagens programadas para os estados mais afetados devem monitorar o status de seus bilhetes, uma vez que o ajuste na malha doméstica visa priorizar rotas de maior densidade para compensar o encarecimento do QAV.