Jornal da Band

Crise humanitária se agrava em Gaza após dois anos de conflito

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta crítico sobre o aumento de doenças transmissíveis na região

Por Redação
REDAÇÃO

27/03/2026 • 21:47 • Atualizado em 27/03/2026 • 21:47

A situação na Faixa de Gaza atingiu níveis alarmantes de precariedade, enquanto o plano de paz proposto pelos Estados Unidos permanece paralisado. Após dois anos de ofensiva militar israelense, cerca de 700 mil palestinos vivem hoje em barracas improvisadas, cercados por destruição e enfrentando uma crise humanitária sem precedentes.

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Com a chegada da temporada de chuvas e o clima frio, as condições de vida nos acampamentos tornaram-se degradantes. Rami Dumaideh, um dos milhares de deslocados, expressou a frustração da população

"Tínhamos esperança de que trariam estruturas para nos proteger da chuva, mas só há mais destruição".

Imagens mostram barracas inundadas e famílias tentando, sem sucesso, conter o avanço das águas e do barro.

Emergência Sanitária e Doenças Transmissíveis

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta crítico sobre o aumento de doenças transmissíveis na região. A superlotação dos abrigos, aliada ao fornecimento precário de água e à falta de saneamento básico, criou o cenário ideal para infestações.

Além de infecções respiratórias graves, as famílias sofrem com surtos de sarna, piolhos, carrapatos e pulgas. Ni'mat Al-Masri, mãe de crianças atingidas, relata o desespero de não encontrar ajuda.

"As picadas de pulga estão por todo o corpo das minhas filhas. Quando vamos levá-las para tratamento, nos dizem: 'Não há tratamento disponível'".

Embora Israel e os Estados Unidos tenham anunciado um cessar-fogo em outubro, os ataques israelenses não cessaram. Apenas nos últimos cinco meses — período em que a trégua deveria estar em vigor — 690 palestinos foram mortos. Nesta semana, um bombardeio atingiu um campo de refugiados, resultando em mais uma vítima fatal.

O balanço dos dois anos de ofensiva, iniciada após o ataque do Hamas em outubro de 2023 (que vitimou 1.200 judeus), é devastador. Estima-se que mais de 72 mil pessoas morreram no território palestino, sendo a grande maioria mulheres e crianças.

Com as fronteiras restritas para a saída de feridos e a entrada de suprimentos médicos limitada, o cenário na Faixa de Gaza é de um massacre contínuo e uma luta diária pela sobrevivência em meio aos escombros.