Jornal da Band

Decisão dos EUA de incluir PCC e CV como terrorista foi debatida por meses

Classificação foi criticada pelo governo Lula, mas defendida pela oposição no Brasil

Da redação
DA REDAÇÃO

29/05/2026 • 21:18 • Atualizado em 29/05/2026 • 21:18

A decisão de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas internacionais dos Estados Unidos não foi uma medida imediata. A decisão, que entrará em vigor no dia 5 de junho, é o resultado de um processo de análise e negociações diplomáticas que se estendeu por meses nos bastidores de Washington.

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A classificação envolveu articulações prolongadas e pressão de oficiais da Casa Branca, que, desde o ano passado, já solicitavam ao governo brasileiro que as facções fossem enquadradas sob a legislação antiterrorista americana. O debate reflete uma mudança na estratégia da gestão de Donald Trump em relação ao combate ao crime organizado na América Latina.

A oficialização ocorreu dois dias após encontro do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) com o presidente Donald Trump e com o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio. De acordo com o Departamento de Estado, a medida é uma resposta à atuação desses grupos, que comandam milhares de integrantes e orquestram ataques violentos contra agentes públicos e a população civil no Brasil.

A partir de 5 de junho, o PCC e o Comando Vermelho passarão a ser tratados como ameaças diretas à segurança nacional dos Estados Unidos. Essa nova classificação amplia o escopo das ações americanas, permitindo que, além do trabalho constante do FBI e do Departamento de Justiça em crimes de lavagem de dinheiro e tráfico internacional, o Departamento de Defesa passe a monitorar e atuar estrategicamente contra essas organizações.

Consequências financeiras e operacionais

Além da cooperação investigativa, a designação permite a imposição de sanções financeiras severas. A Casa Branca terá autoridade para sancionar bancos que identifiquem movimentações financeiras ligadas a essas facções, especialmente se essas instituições financeiras mantiverem negócios com empresas americanas. Analistas do setor econômico alertam que a medida pode gerar fuga de capital estrangeiro, resultando em prejuízos bilionários ao Brasil.

A nova classificação também cria um precedente para a atuação de forças americanas em solo brasileiro, embora autoridades considerem essa possibilidade remota e dependente de acordos de cooperação. A situação é comparada à operação do Pentágono que capturou o ditador Nicolás Maduro, na Venezuela, em janeiro deste ano, desencadeada após a designação de cartéis venezuelanos como terroristas.

A lista de organizações terroristas estrangeiras dos EUA foi criada em 1997 e é revisada pelo Congresso a cada cinco anos. Atualmente, nomes como Al-Qaeda, Estado Islâmico e Hezbollah compõem o rol. Desde o início de 2025, o governo Trump acelerou a inclusão de grupos criminosos latino-americanos, somando ao menos 12 novas designações focadas em organizações como os cartéis mexicanos Jalisco e Sinaloa.