Em vídeo publicado em suas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que sua recente viagem aos Estados Unidos, na condição de pré-candidato, gerou resultados concretos para a segurança pública do Brasil. Segundo o parlamentar, sua articulação direta com autoridades americanas foi o fator determinante para que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) fossem oficialmente designados como grupos narcoterroristas pelo governo dos EUA.
No vídeo, Flávio Bolsonaro adotou um tom crítico ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele afirmou que "em uma viagem como pré-candidato, fizemos mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e Lula em seus 17 anos de mandato".
O senador foi além, acusando o atual presidente de ter feito "lobby" a favor das facções em conversas anteriores com autoridades americanas — uma afirmação de forte impacto político e contenciosa. Segundo Flávio, enquanto o governo atual seria "conivente" com o crime organizado por não controlar o território nacional nem o sistema carcerário, sua atuação focou em tratar as facções "como terroristas, que é o que eles são".
Agradecimentos a Trump e Marco Rubio
O senador agradeceu publicamente ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao Secretário de Estado, Marco Rubio, por atenderem rapidamente ao pedido. Rubio, conhecido por sua linha dura contra cartéis latino-americanos, tem sido um aliado estratégico da família Bolsonaro em Washington.
PCC e CV
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O governo americano também informou a intenção de classificar ambas as facções como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), medida que entra em vigor no dia 5 de junho.
O que muda
Até agora, os EUA tratavam o PCC e o CV apenas como facções criminosas. Com a nova classificação, uma série de sanções é acionada de forma imediata, com foco principal na asfixia financeira das organizações.
Qualquer ativo, conta bancária ou propriedade ligada a membros das facções em solo americano pode ser imediatamente bloqueado ou confiscado. Além disso, nenhuma empresa dos Estados Unidos, incluindo fabricantes de armas e instituições financeiras, poderá manter qualquer tipo de relação comercial com pessoas ou empresas de fachada vinculadas aos grupos.
A legislação antiterrorismo americana também permite intervenções mais drásticas caso o governo entenda que sua segurança nacional está ameaçada. O precedente mais recente é o do presidente venezuelano Nicolás Maduro, enquadrado em leis de narcoterrorismo pelos EUA, o que resultou em mandados de prisão e recompensas internacionais por sua captura.
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