Jornal da Band

Desenrola 2.0: Governo estuda liberar FGTS para dívidas

Com 81 milhões de brasileiros inadimplentes, pacote econômico busca dar alívio imediato, mas economistas alertam para caráter estrutural da crise de endividamento

Por Redação
REDAÇÃO

09/04/2026 • 21:19 • Atualizado em 09/04/2026 • 21:19

Juliana Rosa
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O governo federal prepara o lançamento de um novo pacote de medidas para o enfrentamento da dívida no Brasil, já apelidado informalmente de "Desenrola 2.0". A iniciativa surge em um momento crítico, com o endividamento atingindo níveis recordes no país. Segundo dados da Serasa, o Brasil possui atualmente mais de 81 milhões de pessoas inadimplentes, o que representa quase metade da população adulta com contas em atraso.

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A principal estratégia em estudo pelo Ministério da Fazenda é a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que os trabalhadores possam quitar seus débitos.

De acordo com a análise de Juliana Rosa, a medida é vista com bons olhos por economistas, uma vez que o dinheiro pertence ao trabalhador e apresenta rentabilidade real próxima de zero quando descontada a inflação. Contudo, a utilização desses recursos gera um dilema fiscal e social, pois o FGTS é a principal fonte de financiamento para a construção civil, especialmente para programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida.

Limites das medidas paliativas e juros altos

Embora o pacote prometa um alívio imediato, especialistas apontam que o problema da inadimplência no Brasil é estrutural. O programa Desenrola, lançado originalmente em 2023, não impediu que os índices de endividamento voltassem a subir pouco tempo depois. Juliana Rosa ressalta que o cenário atual é agravado por fatores externos, como conflitos internacionais que pressionam a inflação e mantêm as taxas de juros em patamares elevados, dificultando o pagamento de empréstimos e faturas.

A análise indica que, sem reformas que ataquem as causas de longo prazo do endividamento, novos programas de renegociação podem atuar apenas como um paliativo. Para que o "Desenrola 2.0" tenha sucesso duradouro, economistas sugerem que ele venha acompanhado de educação financeira e uma trajetória sustentável de queda nos juros.

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