Jornal da Band

Dois anos após enchentes no RS, famílias ainda vivem em módulos temporários

183 pessoas morreram na tragédia de 2024; 526 famílias seguem em abrigos provisórios no estado e entrega de casas definitivas pode demorar mais de um ano

EDUARDO CARVALHO

29/04/2026 • 21:17 • Atualizado em 29/04/2026 • 21:17

Dois anos após a pior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, centenas de famílias ainda não têm para onde ir. Em maio de 2024, 183 pessoas morreram, mais de 600 mil tiveram que deixar suas casas e cidades inteiras foram destruídas, algumas inabitadas até hoje. Em Porto Alegre, 22 famílias seguem vivendo nos módulos habitacionais construídos pelo governo do estado para serem temporários.

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Os 80 módulos foram entregues em janeiro de 2025, nove meses após as enchentes. Nem todos foram ocupados, cerca de 40 famílias vieram para o local. As unidades que ficaram vazias foram rapidamente invadidas e depredadas. Uma delas chegou a ser incendiada. Em todo o estado, 526 famílias ainda vivem em estruturas como essas.

O próprio diretor geral do Departamento Municipal de Habitação de Porto Alegre, André Machado, classificou a experiência como um fracasso. Segundo ele, o local começou bem posicionado, mas foi degradando ao longo do caminho. A promessa agora é de que até a metade de maio as famílias passem a receber um auxílio de R$ 1 mil para aluguel, já que a entrega de casas definitivas ainda pode demorar mais de um ano.

A aposentada Marlene Rudke é uma das que ainda carregam o trauma. Ela diz que vive como se ainda estivesse naquele momento, abalada até hoje. Já Sérgio, de 71 anos, resume o desespero com uma pergunta: “Talvez eu vou morrer onde? Embaixo da ponte?”

Dois anos depois, a prefeitura de Porto Alegre ainda trabalha no sistema de proteção contra cheias. Quatro comportas continuam em obras, há serviços em casas de bombas e alguns projetos de prevenção contra eventos climáticos nem saíram do papel. Especialistas holandeses chegaram a recomendar a dragagem do lago Guaíba, mas a medida não foi adotada.