Jornal da Band

2 aviões fazem pouso simultâneo em SP; Cenipa trata como “incidente grave”

Imagens mostram aeronaves da Gol e da Atlas Air muito próximas na aproximação; órgão da Aeronáutica apura falhas em operação em Guarulhos

IGOR CALIAN

26/02/2026 • 19:39 • Atualizado em 26/02/2026 • 19:39

O pouso quase simultâneo de um avião da Gol e de um cargueiro da Atlas Air no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, no dia 8 de fevereiro de 2026, é tratado como incidente grave pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que abriu investigação sobre o caso.

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As imagens, divulgadas apenas agora, mostram as duas aeronaves muito próximas enquanto se preparam para tocar a pista, o que chamou a atenção de passageiros e de profissionais do setor aéreo. Os dois aviões pousam praticamente juntos, em uma situação considerada sensível do ponto de vista da segurança operacional.

O pouso é um dos momentos mais delicados de um voo. Com o avião próximo do solo, a margem para erro é mínima, por isso normas de separação e procedimentos de aproximação precisam ser seguidos com rigor pelas tripulações e pelo controle de tráfego aéreo.

Em Guarulhos, pousos simultâneos em pistas paralelas não são autorizados, ao contrário do que ocorre em grandes aeroportos como Los Angeles, Atlanta e até Brasília, onde essa operação é prevista e regulada pela autoridade aeronáutica local.

Entenda a investigação do Cenipa

O Cenipa, órgão da Aeronáutica responsável por investigar ocorrências e prevenir acidentes, classificou o episódio em Guarulhos como “incidente grave”, denominação usada quando uma situação representa risco relevante à segurança de voo, ainda que não haja danos materiais ou vítimas.

Segundo a NAV Brasil, empresa ligada à Aeronáutica que administra a navegação aérea, o avião cargueiro da Atlas Air se aproximou da pista em velocidade maior do que a prevista e acabou chegando ao ponto de toque antes do planejado, o que contribuiu para a redução da separação entre as aeronaves.

A empresa informou que segue apurando o que ocorreu na coordenação do tráfego naquele momento. A Atlas Air não se manifestou até a publicação deste texto.

Em nota, a Gol declarou que o pouso do voo G3 1773 em Guarulhos, na mesma data, ocorreu em segurança, sem intercorrências, e afirmou que colabora integralmente com o Cenipa na apuração do evento.

Outro episódio com aviões de Atlas e Latam

Poucos dias depois, outro momento de atenção foi registrado no maior aeroporto do país. Um Boeing da Atlas, que vinha de Miami, se preparava para pousar quando um avião da Latam acelerou na pista e decolou poucos segundos antes de o cargueiro tocar o solo.

Nesse segundo caso, o aeroporto informou que o procedimento seguiu as normas de segurança e que a separação entre as aeronaves respeitou os parâmetros definidos para operações de pouso e decolagem em sequência, prática comum em aeroportos movimentados.

Padrões internacionais de pouso simultâneo

Pousos simultâneos são operações frequentes em grandes hubs internacionais, que contam com múltiplas pistas, sistemas de radar avançados e regras específicas de separação entre aeronaves. Em locais como Los Angeles e Atlanta, essas aproximações paralelas são autorizadas e fazem parte da rotina para dar vazão ao grande volume de tráfego.

No Brasil, a operação também é prevista em alguns aeroportos, como o de Brasília, mas depende de requisitos técnicos e de visibilidade. Em Guarulhos, porém, a autoridade de navegação não permite pousos simultâneos, o que torna o episódio envolvendo Gol e Atlas alvo de atenção redobrada dos investigadores.

Casos recentes reforçam alerta

No ano passado, um acidente em Washington, nos Estados Unidos, evidenciou as consequências de descumprir orientações da torre de controle. Um helicóptero colidiu com um avião que se aproximava para pouso, causando a morte de 67 pessoas, depois que o piloto do helicóptero não obedeceu a uma ordem do controle de tráfego.

O objetivo das apurações conduzidas pelo Cenipa é identificar eventuais falhas de procedimento, treinamento ou comunicação para aprimorar a segurança operacional e evitar que situações de risco, como a registrada em Guarulhos, evoluam para acidentes com vítimas.