Jornal da Band

Eleição suplementar em RR custará R$ 8 mi para mandato de apenas seis meses

Escolha de novo governador acontece após cassação definitiva do mandato anterior pelo TSE

Da redação
DA REDAÇÃO

19/06/2026 • 21:49 • Atualizado em 19/06/2026 • 23:19

Cerca de 381 mil eleitores de Roraima retornam às urnas neste domingo (21) para uma eleição fora de época que definirá o novo governador do estado. O pleito, no entanto, é alvo de fortes críticas da população local devido ao alto custo e ao curto período de mandato: o vencedor ocupará o cargo somente até o dia 31 de dezembro, já que em outubro todos os eleitores deverão votar novamente nas eleições gerais.

Compartilhar

A necessidade deste pleito suplementar surgiu após a cassação definitiva, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em abril, da chapa composta pelo governador Edilson Damião (União) e pelo ex-governador Antônio Denarium (Republicanos). Ambos foram condenados por abuso de poder econômico referente às eleições de 2022.

O processo enfrentou uma longa tramitação na justiça eleitoral. Embora o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) tenha cassado o mandato ainda em 2023, o caso sofreu interrupções no TSE por pedidos de vista dos ministros André Mendonça e Nunes Marques, sendo concluído apenas dois anos após o início do mandato original.

Custos e revolta popular

A estimativa do TRE-RR é que a organização desta eleição custe R$ 8 milhões aos cofres públicos. Nas ruas da capital, Boa Vista, o clima é de indignação. Eleitores questionam o gasto de recursos que poderiam ser destinados a áreas como saúde, educação e pavimentação asfáltica, classificando a situação como um "absurdo" e um desperdício de dinheiro público.

Para tentar minimizar os gastos, o tribunal informou que está utilizando transporte fluvial em vez de aéreo para levar urnas e pessoal às comunidades do baixo Rio Branco, aproveitando o período de cheia do rio.

Críticas à demora judicial

Especialistas apontam que o desgaste logístico e financeiro poderia ter sido evitado. Se a decisão do TSE tivesse ocorrido apenas um mês depois, a legislação determinaria que a escolha do novo governador fosse feita de forma indireta pela Assembleia Legislativa, poupando a estrutura do Tribunal e os recursos públicos.

A situação é descrita como crítica para os servidores do TRE, que tiveram pouco mais de um mês para organizar uma eleição do zero, após dois anos de planejamento para o pleito ordinário que ocorrerá em outubro. O curto intervalo de três meses entre as duas idas obrigatórias às urnas para escolher um governador é visto como um desrespeito aos interesses da sociedade frente à morosidade da justiça.