Jornal da Band

Entenda a cronologia sobre a relação entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro

Investigação da Polícia Federal revela mensagens e transações imobiliárias envolvendo familiares do ministro e grupo ligado a Daniel Vorcaro

Da redação
DA REDAÇÃO

12/02/2026 • 20:06 • Atualizado em 12/02/2026 • 20:06

Veja a cronologia sobre a relação entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro

Veja a cronologia sobre a relação entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro

ASCOM/STF

A crise envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e o Banco Master ganha novos desdobramentos com a revelação de uma complexa rede de negócios imobiliários e mensagens diretas entre os envolvidos.

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O caso, que tramita sob sigilo na Suprema Corte, levanta questionamentos sobre a imparcialidade do magistrado na relatoria de processos que afetam diretamente o banqueiro Daniel Vorcaro.

A cronologia das transações imobiliárias

A relação comercial tem origem na empresa Maridt, de propriedade da família de Dias Toffoli e administrada por dois de seus irmãos. Em dezembro de 2020, a Maridt adquiriu 33% do resort Tayayá, localizado no Paraná. Poucos meses depois, em maio de 2021, a empresa vendeu parte de suas cotas para o Fundo Leal, administrado por Fabiano Zettel, que é cunhado de Daniel Vorcaro.

As transações continuaram em setembro do mesmo ano, quando Zettel comprou outra parcela do resort pertencente aos Toffoli. Para esta operação, foi utilizado o Fundo Arleen, sob gestão da Reag, empresa também vinculada ao Grupo Master. O vínculo formal da Maridt com o empreendimento paranaense foi encerrado apenas no início de 2025, com a venda da participação final da família do ministro.

Prisão de Vorcaro e atuação de Toffoli no STF

O cenário tornou-se crítico em novembro de 2025, quando Daniel Vorcaro foi preso em São Paulo por suspeita de fraudes milionárias. Simultaneamente, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. O caso chegou ao STF no dia 27 de novembro, e Dias Toffoli foi sorteado como relator.

Ao assumir a função, o ministro decretou sigilo máximo sobre as investigações. Na ocasião, Toffoli não declarou impedimento, omitindo a existência de negócios prévios de sua família com pessoas ligadas a Vorcaro.

No mesmo dia da decisão, o magistrado viajou em um jato particular na companhia do advogado de um ex-diretor do Banco Master para assistir à final da Libertadores. Dois dias depois, Daniel Vorcaro obteve a liberdade por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Mensagens e a reação do magistrado

Em janeiro de 2026, novas decisões de Toffoli geraram controvérsia. O ministro tentou limitar o acesso da Polícia Federal aos celulares apreendidos de Vorcaro, determinando que o material fosse lacrado e enviado ao STF. Após fortes críticas, ele recuou da decisão no dia seguinte.

Na última segunda-feira, 9 de fevereiro, a Polícia Federal informou a existência de mensagens trocadas diretamente entre o banqueiro e o ministro nos aparelhos periciados, além de outras menções nominais a Toffoli.

Somente após a divulgação pública desses fatos, Dias Toffoli confirmou ser sócio da Maridt. O ministro afirma que não tinha conhecimento das negociações feitas por seus irmãos com o cunhado de Vorcaro e nega categoricamente ter recebido qualquer valor financeiro do banqueiro.